A investigação da Polícia Federal sobre fraudes no banco Master revelou que a relação entre o PT da Bahia e o empresário Augusto Lima, conhecido como Guga, começou com a venda da Empresa Baiana de Alimentos (Ebal) em 2016. Guga adquiriu a estatal por um preço reduzido e sem dívidas, com diversos benefícios, sobretudo na operação do cartão de crédito Credcesta. Na época, Jaques Wagner era secretário de Desenvolvimento Econômico do estado.
Compra da Ebal: negócio vantajoso para Guga
A Ebal foi vendida por R$ 12 milhões, valor considerado baixo para uma empresa que tinha unidades em várias cidades baianas e uma rede de distribuição. Além disso, o contrato incluiu a isenção de dívidas trabalhistas e fiscais, e a concessão de incentivos fiscais. Guga, que já atuava no ramo de crédito consignado, passou a operar o Credcesta, um cartão de crédito voltado para servidores públicos, que se tornou a principal fonte de receita da empresa.
Relação com o PT e expansão dos negócios
Após a compra, Guga se aproximou do PT baiano, financiando campanhas e mantendo contato próximo com os ex-governadores Jaques Wagner e Rui Costa. A operação do Credcesta cresceu rapidamente, e Guga expandiu seus negócios para outros estados, sempre com forte atuação no crédito consignado. A PF aponta que parte desses recursos pode ter sido usada para pagar propinas a agentes públicos.
Investigação da PF e suspeitas de fraudes
Em junho de 2026, a PF deflagrou uma operação que investiga fraudes no banco Master, do qual Guga é sócio. As suspeitas incluem desvios de recursos do crédito consignado e lavagem de dinheiro. Jaques Wagner, em nota, negou qualquer irregularidade na venda da Ebal e afirmou que o negócio seguiu todos os trâmites legais. "A venda foi transparente e aprovada pelos órgãos de controle", disse o senador.
Impacto político na Bahia
O caso tem potencial para gerar desgaste ao PT na Bahia, especialmente para Jaques Wagner, que é uma das principais lideranças do partido no estado. A oposição já pede a abertura de uma CPI para investigar a venda da Ebal e a relação do partido com Guga. O governador Jerônimo Rodrigues, também do PT, afirmou que vai aguardar as investigações e que não comentará o caso antes de conclusões oficiais.



