A Polícia Federal prendeu em flagrante o ex-prefeito de Belford Roxo e pré-candidato ao Senado Márcio Canella (União Brasil) durante a 6ª fase da Operação Unha e Carne, deflagrada nesta terça-feira (7). Agentes encontraram um fuzil de calibre restrito no interior do veículo de Canella, que foi levado ao Presídio de Benfica, na Zona Norte do Rio de Janeiro, ainda na noite de terça, segundo apurou a TV Globo. Canella alegou que a arma não era dele.
Operação mira rede de postos de combustíveis
A operação investiga um suposto esquema de lavagem de dinheiro do crime organizado que movimentou R$ 7,6 bilhões nos últimos seis anos por meio de uma rede de postos de combustíveis no Grande Rio, com conivência de políticos. A Justiça determinou o cumprimento de 19 mandados de busca e apreensão nos municípios de Niterói, São Gonçalo, Itaboraí, Resende e na capital fluminense. Também foram autorizados o sequestro de bens e valores e a suspensão das atividades econômicas de empresas ligadas ao grupo.
Além de Canella, outro alvo de buscas foi o delegado Marcus Amim, ex-secretário estadual de Polícia Civil. O g1 tenta contato com as defesas dos investigados.
Canella é apontado como ‘braço político’ do esquema
Inicialmente alvo de mandado de busca e apreensão, Canella acabou preso em flagrante após a localização do fuzil. A PF informou que ele é investigado como “braço político” do grupo criminoso. “Operação Unha e Carne VI - um dos alvos da operação, investigado como braço político do grupo, foi preso em flagrante pelo crime de possuir ou portar arma de fogo de calibre restrito, após os policiais encontrarem um fuzil .556 no interior de seu veículo”, disse a PF em nota.
As investigações tiveram início a partir de um relatório de inteligência do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), que apontou a movimentação financeira bilionária. “Além do crime de organização criminosa, os investigados poderão responder por contratação direta ilegal e lavagem de dinheiro, além de outros que poderão surgir no decorrer das investigações”, acrescentou a PF.
Trajetória política de Márcio Canella
Márcio Canella iniciou a carreira política como vereador de Belford Roxo em 2012. Em 2015, foi eleito deputado estadual, cumprindo três mandatos na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj). Durante esse período, licenciou-se para ser vice-prefeito de Belford Roxo na gestão de Waguinho (Republicanos), de 2017 a 2019. Os dois se afastaram politicamente após as eleições presidenciais de 2022: Canella apoiou Jair Bolsonaro (PL), enquanto Waguinho optou por Lula (PT).
Em 2024, Canella foi eleito prefeito de Belford Roxo, derrotando o principal adversário, Matheus do Waguinho (Republicanos), sobrinho do ex-prefeito. No início de abril de 2026, renunciou ao cargo para concorrer ao Senado, com apoio do senador Flávio Bolsonaro (PL) e do deputado estadual Douglas Ruas (PL). A então vice-prefeita Mariana Malta assumiu a prefeitura.
Apreensões e contexto da operação
Durante as buscas, a PF apreendeu cerca de R$ 919 mil e US$ 13 mil em espécie, um fuzil de calibre restrito, nove armas curtas (revólveres e pistolas), sete computadores, 23 aparelhos celulares, 11 veículos de luxo, joias e relógios de luxo, além de documentos diversos. Na casa de um dos alvos, em Niterói, foram encontradas armas, joias, dinheiro e carros de luxo.
A ação está inserida no contexto da decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) na Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) 635/RJ, conhecida como ADPF das Favelas, que determinou que a PF investigasse relações de agentes públicos com facções criminosas.



