O Brasil vive um momento histórico para o empreendedorismo. Apenas em 2025, mais de 5 milhões de empresas foram abertas no País, segundo dados do Sebrae, e cerca de 96% delas são pequenos negócios. O movimento reflete tanto o dinamismo da economia quanto a busca de milhões de brasileiros por novas oportunidades de renda. Ao mesmo tempo, essas empresas nascem cada vez mais enxutas, com equipes reduzidas e forte dependência da tecnologia para ganhar produtividade desde os primeiros dias de operação.
Acesso à tecnologia já não é o principal gargalo
Se, até poucos anos atrás, o principal desafio era ampliar o acesso aos equipamentos, hoje o cenário é diferente. Pesquisa do Sebrae mostra que 76% das micro e pequenas empresas já utilizam computadores em suas atividades, o maior índice da série histórica. O avanço da digitalização muda o foco da discussão: mais importante do que possuir tecnologia é saber utilizá-la de forma estratégica.
“A pergunta deixou de ser ‘eu tenho as ferramentas certas?’ e passou a ser ‘estou usando essas ferramentas da melhor forma possível?’”, afirma Ricardo Kamel, diretor-geral da HP Inc. Brasil. Segundo o executivo, a inteligência artificial representa a próxima etapa dessa transformação justamente porque permite automatizar tarefas, organizar informações e apoiar decisões de forma mais rápida. “O próximo salto de competitividade não virá do acesso à tecnologia, mas da qualidade do uso que fazemos dela.”
Perfil do empreendedor brasileiro se transforma
Essa mudança acompanha uma transformação no perfil do empreendedor brasileiro. Empresas nascem digitais, trabalham de forma distribuída e precisam entregar resultados rapidamente, mesmo sem a estrutura de grandes corporações. Para Kamel, democratizar o acesso a recursos antes restritos às empresas de maior porte tornou-se um dos principais desafios da indústria de tecnologia. “Recursos como inteligência artificial, segurança embarcada e ferramentas de produtividade não podem ser privilégio das grandes empresas. O empreendedor moderno não precisa de uma grande estrutura para competir; precisa da tecnologia certa para crescer.”
Computador ganha novo papel no ecossistema corporativo
O novo cenário também altera a forma como empresas de tecnologia se posicionam no mercado. Se antes o foco estava na venda de computadores e impressoras, cresce a demanda por soluções capazes de integrar produtividade, colaboração, segurança e inteligência artificial. A própria HP é um exemplo dessa transformação. Conhecida durante décadas principalmente pelas impressoras, a empresa ampliou seu portfólio para reunir notebooks, computadores, periféricos e soluções de inteligência artificial voltadas ao ambiente corporativo. A estratégia, segundo Kamel, é oferecer um ecossistema integrado para quem trabalha de forma presencial, remota ou híbrida. “O cliente não quer comprar um equipamento. Ele quer resolver um desafio de negócio”, resume.
Na prática, isso significa incorporar recursos de inteligência artificial diretamente nos computadores para automatizar tarefas, reforçar a segurança dos dados e acelerar atividades que antes dependiam exclusivamente de processamento em nuvem. Segundo Kamel, executar parte dessas funções no próprio equipamento oferece respostas mais rápidas e maior controle sobre informações sensíveis. Um exemplo são as linhas de notebooks profissionais ProBook e EliteBook, que incorporam recursos de IA voltados à produtividade, à colaboração e à proteção de dados. A proposta é transformar o computador em um assistente capaz de reduzir tarefas repetitivas, simplificar fluxos de trabalho e liberar tempo para atividades mais estratégicas.
Soluções integradas para trabalho híbrido e impressão inteligente
Outro exemplo está nas soluções voltadas ao trabalho híbrido. Além dos computadores, a empresa reúne webcams, headsets, docks e outros periféricos para facilitar a colaboração entre equipes distribuídas, buscando oferecer uma experiência integrada para quem alterna entre escritório e trabalho remoto. Essa integração também chega às impressoras. Voltadas ao mercado de pequenas e médias empresas com alto volume de impressão, as multifuncionais da linha HP Smart Tank reúnem impressão, digitalização e cópia em um único equipamento, com conectividade via Wi-Fi e Bluetooth, além de recursos inteligentes, como impressão automática frente e verso e alimentador automático de documentos em modelos selecionados. Desenvolvidas para otimizar o fluxo de trabalho diário, ajudam a aumentar a produtividade, reduzir intervenções manuais e economizar tinta sem comprometer a qualidade de impressão.
Capacitação estratégica é o novo diferencial
Os dados do estudo Work Relationship Index (WRI), pesquisa realizada pela HP que analisa as transformações no ambiente corporativo, apontam na mesma direção. De acordo com a pesquisa, profissionais esperam que a tecnologia reduza fricções do dia a dia e torne o trabalho mais simples, e não mais complexo. A expectativa é de que ferramentas digitais contribuam para aumentar a produtividade, melhorar a colaboração e ampliar o bem-estar nas organizações.
Nas pequenas empresas, onde equipes costumam acumular diversas funções, esse impacto tende a ser ainda maior. Para Kamel, os maiores ganhos da inteligência artificial devem aparecer justamente em áreas que consomem tempo dos empreendedores, como atendimento ao cliente, tarefas administrativas, criação de conteúdo, análise de informações e apoio à tomada de decisões. “A IA será uma ferramenta de escala para pequenos negócios. Ela não substitui o empreendedor; ajuda o empreendedor a tomar decisões melhores e agir mais rapidamente.”
Desigualdade setorial e a barreira do conhecimento
O avanço da digitalização, porém, ainda ocorre de maneira desigual entre os setores da economia. Comércio e serviços lideram a adoção tecnológica, enquanto segmentos como construção civil, indústria e agronegócio apresentam espaço significativo para expansão. Para o executivo, isso representa uma oportunidade importante. “Historicamente, quando a tecnologia se torna mais acessível, ela gera os maiores impactos justamente onde ainda existem desafios importantes a serem resolvidos.”
Apesar da expansão da conectividade e do uso crescente de softwares de gestão — hoje presentes em quase metade dos pequenos negócios brasileiros, segundo o Sebrae —, a principal barreira para uma transformação digital mais profunda não está mais na infraestrutura. “O desafio agora é conhecimento. Muitas empresas possuem as ferramentas necessárias, mas ainda estão aprendendo a transformar dados em decisões, automação em produtividade e inteligência artificial em vantagem competitiva.”
Na avaliação de Kamel, equipamentos e plataformas são apenas parte da equação. O ganho real depende da capacidade das pessoas de incorporar essas tecnologias à rotina dos negócios. “A tecnologia abre a porta; o conhecimento é o que permite atravessá-la.” Para o executivo, a tecnologia deixou de ser um diferencial competitivo para se tornar um requisito básico de permanência no mercado. “Hoje não é mais uma decisão sobre investir ou não para ser mais eficiente. É uma condição para continuar competitivo. Quem optar por não investir em tecnologia terá cada vez mais dificuldade para sobreviver em um mercado altamente competitivo”, explica.



