PF investiga emendas a entidades ligadas a filme sobre Bolsonaro
PF investiga emendas a entidades de filme sobre Bolsonaro

A Polícia Federal (PF) abriu uma investigação para apurar possíveis irregularidades em emendas parlamentares destinadas a entidades ligadas à produção do filme 'Dark Horse', uma cinebiografia que exalta a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro. O inquérito foi instaurado após determinação do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes, que atendeu a um pedido da Procuradoria-Geral da República (PGR).

Entidades sob suspeita

As emendas, no valor total de R$ 4,2 milhões, foram direcionadas a duas organizações não governamentais (ONGs) que atuam na produção cultural e que estão diretamente vinculadas ao documentário. Segundo a PF, há indícios de que os recursos públicos tenham sido desviados para financiar o filme, que tem como objetivo retratar Bolsonaro como um líder político perseguido. As entidades negam irregularidades e afirmam que as verbas foram aplicadas em projetos sociais e culturais previstos em seus estatutos.

Depoimentos e quebras de sigilo

A investigação inclui a oitiva de ex-integrantes do governo Bolsonaro, produtores do filme e dirigentes das ONGs. A PF também solicitou a quebra de sigilos bancário, fiscal e telemático dos envolvidos. Em nota, a defesa do ex-presidente classificou a investigação como 'perseguição política' e afirmou que 'não há qualquer irregularidade na captação de recursos para a produção audiovisual'.

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Contexto político

A abertura do inquérito ocorre em meio a um acirramento das tensões entre o STF e aliados de Bolsonaro. O filme 'Dark Horse' foi lançado em 2024 e gerou polêmica por seu tom favorável ao ex-mandatário, que enfrenta múltiplas investigações na Justiça. Para o cientista político Carlos Melo, do Insper, 'a suspeita de desvio de emendas para financiar propaganda política acende um alerta sobre o uso de dinheiro público em causas partidárias'.

Próximos passos

A PF tem 60 dias para concluir as diligências iniciais e apresentar um relatório ao STF. Caso sejam confirmadas as irregularidades, os responsáveis podem responder por crimes como peculato, corrupção passiva e formação de quadrilha. A PGR já solicitou o bloqueio de bens das entidades investigadas, no valor correspondente ao montante das emendas.

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