A Polícia Federal entregou ao Supremo Tribunal Federal (STF) um relatório que detalha um esquema de fraude bilionária no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), resultando no indiciamento de 48 pessoas. Entre os indiciados estão ex-presidentes do instituto, servidores públicos, políticos e representantes de entidades. O esquema, que operava com reuniões de madrugada, uso de codinomes de heróis e pagamentos em dinheiro vivo, desviou R$ 708 milhões de aposentados por meio de descontos indevidos nos contracheques.
Investigação revela estrutura sofisticada
De acordo com a PF, as provas colhidas mostram uma organização criminosa altamente estruturada. Os investigados utilizavam codinomes baseados em heróis para se comunicar, evitando a identificação. As reuniões ocorriam frequentemente de madrugada, em locais sigilosos, para planejar as ações ilícitas. O dinheiro desviado era repassado em espécie, dificultando o rastreamento. A corporação destacou que o esquema envolvia a concessão de benefícios fraudulentos e a manutenção de descontos indevidos, que eram rateados entre os participantes.
Indiciados incluem ex-presidentes do INSS
Entre os 48 indiciados, estão dois ex-presidentes do INSS, cujos nomes não foram divulgados pela PF. A investigação aponta que eles teriam facilitado a atuação do esquema dentro do órgão. Além deles, servidores de carreira e funcionários terceirizados também foram indiciados. A PF informou que o prejuízo total causado aos aposentados chega a R$ 708 milhões, mas há indícios de que o valor real pode ser maior, uma vez que o esquema operava há anos.
STF acompanha o caso
O relatório foi encaminhado ao STF, que já havia autorizado buscas e apreensões na fase inicial da Operação Falso Positivo, deflagrada em 2025. Agora, cabe à Procuradoria-Geral da República analisar as provas e decidir sobre possíveis denúncias. A PF afirmou que as investigações continuam para identificar outros envolvidos e recuperar os valores desviados. Em nota, o INSS informou que colabora com as autoridades e já adotou medidas internas para evitar novas fraudes.
Impacto para aposentados
Os aposentados que tiveram descontos indevidos podem solicitar a restituição dos valores por meio de canais oficiais do INSS. A orientação é que os beneficiários verifiquem seus contracheques e, em caso de irregularidades, procurem a ouvidoria do órgão. A PF recomenda que as vítimas registrem boletim de ocorrência para auxiliar nas investigações. O caso expõe fragilidades no sistema de controle do INSS, que já foi alvo de outras operações nos últimos anos.



