A nona fase da Operação Compliance Zero, da Polícia Federal (PF), cumpre nesta quinta-feira (18) mandados de busca e apreensão contra o banqueiro Augusto Ferreira Lima, controlador do Banco Pleno e ex-sócio de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. A sede do banco, localizada na Alameda Santos, no bairro dos Jardins, em São Paulo, foi um dos alvos.
Histórico de investigações
Augusto Lima já havia sido preso preventivamente pela PF em novembro do ano passado, na mesma operação. Em fevereiro deste ano, o Banco Central do Brasil (BC) decretou a liquidação extrajudicial do Banco Pleno. Lima tornou-se controlador da instituição em julho de 2025, após adquirir o banco. Ele também foi CEO do Banco Master e mantém relações com figuras políticas, especialmente do PT baiano.
Segundo o blog do Valdo Cruz, o banqueiro é próximo ao ministro Rui Costa (Casa Civil) e ao líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA). Sua notoriedade aumentou após comprar a rede de supermercados Cesta do Povo, durante a privatização da Empresa Baiana de Alimentos (Ebal).
O Cartão Credcesta
Com a aquisição da Cesta do Povo, Lima também passou a controlar o Credcesta, um cartão de benefícios voltado a servidores públicos municipais e estaduais. Inicialmente restrito à Bahia, o produto expandiu-se nacionalmente em parceria com o Banco Master.
Um requerimento da CPMI do INSS, que pediu a quebra de sigilo bancário de Lima, aponta que a ampliação do Credcesta o transformou em um produto de crédito consignado que se disseminou pelo país, integrando carteiras negociadas com fundos de investimento e outras instituições financeiras. O documento ainda indica que parte relevante desses créditos oferecidos a aposentados e pensionistas não foi informada às autoridades ou não dispunha de recursos e estrutura suficientes para operar dentro das regras.
Liquidação do Banco Pleno
O Banco Central decretou a liquidação extrajudicial do Banco Pleno e da Pleno Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários (DTVM) nesta quarta-feira (18). A medida foi tomada devido ao agravamento da situação econômico-financeira da instituição, que enfrentava dificuldades para cumprir obrigações diárias, além de descumprimento de normas e determinações do órgão regulador.
O conglomerado possuía participação muito pequena no sistema financeiro brasileiro: até setembro do ano passado, concentrava cerca de 0,04% de todos os ativos do setor (aproximadamente R$ 7,6 bilhões, ante um total de mais de R$ 18 trilhões). Nas captações, a participação era de 0,05% (cerca de R$ 6,5 bilhões, de um total superior a R$ 13 trilhões).
Com a liquidação extrajudicial, o Banco Central encerra as atividades do banco, um liquidante assume o controle, encerra operações, vende bens e paga credores conforme a ordem legal, até a extinção da instituição. O BC informou que continuará apurando responsabilidades, podendo resultar em sanções administrativas e envio de informações a outras autoridades. Os bens dos controladores e administradores ficam indisponíveis.
Ligações políticas
Segundo o blog do Valdo Cruz, foi Augusto Lima quem procurou o ministro Ricardo Lewandowski para contratá-lo como consultor jurídico do Banco Master, com intermediação de Jaques Wagner. Lima também participou da reunião de Daniel Vorcaro com o presidente Lula no fim de 2024. As investigações continuam em andamento.



