Nova fase da Compliance Zero mira Jaques Wagner por supostas vantagens
Nova fase da Compliance Zero mira Jaques Wagner

A Polícia Federal deflagrou nesta quinta-feira (18) a 9ª fase da Operação Compliance Zero, que tem como alvo o senador Jaques Wagner (PT-BA), líder do governo no Senado. Os documentos que autorizaram a nova etapa revelam detalhes das suspeitas contra o parlamentar, investigado por suposto envolvimento em um esquema bilionário de fraudes e corrupção ligado ao Banco Master.

Relação com banqueiro

Segundo as investigações, o foco central desta fase é a relação de proximidade entre Jaques Wagner e o banqueiro Augusto Lima, dono do Banco Pleno e apontado como aliado estratégico de Daniel Vorcaro, presidente do Banco Master. A apuração teve um avanço significativo após a análise de mensagens encontradas no celular de Augusto Lima, que revelaram a dinâmica do suposto esquema.

"A investigação reúne mensagens, áudios, ligações telefônicas, contratos, comprovantes de transferências bancárias, registros de empresas, planilhas de pagamentos e dados extraídos de celulares apreendidos em fases anteriores da Operação Compliance Zero", diz o documento obtido pela TV Globo.

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Emenda Master e contrapartidas

A PF investiga se o senador atuou diretamente em favor de projetos de interesse do grupo financeiro. Entre as medidas citadas estão a chamada "Emenda Master" e uma proposta legislativa que visava ampliar o limite do crédito consignado, setor onde o grupo de Vorcaro e Lima possui forte atuação por meio do Credcesta.

Em contrapartida a essa atuação parlamentar, os investigadores suspeitam que Wagner tenha sido beneficiado com:

  • Propina em espécie: Repasses que somariam R$ 3,5 milhões, realizados por meio de uma empresa ligada à nora do senador.
  • Imóvel de luxo: A transação suspeita de um apartamento no Poeme Residence (unidade 1702), localizado no bairro do Horto Florestal, em Salvador — área nobre da capital baiana. O edifício ainda estaria em construção.
  • Mordomias: O uso frequente de aeronaves particulares e o recebimento de ingressos para shows.

Jaques Wagner, que já foi governador da Bahia por dois mandatos e ocupou diversos ministérios, já havia sido citado anteriormente por intermediar contatos entre o grupo financeiro e altas autoridades.

Busca e apreensão

Nesta manhã, policiais federais cumpriram 18 mandados de busca e apreensão, inclusive em um endereço do senador em Salvador, no Corredor da Vitória. A Operação Compliance Zero continua a investigar o fluxo financeiro do Banco Master, que já resultou em prejuízos estimados em R$ 12 bilhões e na liquidação extrajudicial do Banco Pleno, de Augusto Lima, pelo Banco Central.

Esta reportagem está em atualização.

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