Nomeação de Ludimilla Ceciliano na Nuclep gera racha no PT do Rio
Nomeação de Ludimilla Ceciliano na Nuclep gera racha no PT

A nomeação de Ludimilla Ramalho Ceciliano para um cargo na Nuclep (Nuclebrás Equipamentos Pesados S.A.) gerou uma nova onda de tensão no diretório estadual do Partido dos Trabalhadores (PT) do Rio de Janeiro. Ludimilla é esposa de André Ceciliano, ex-secretário de Relações Institucionais do governo Lula e atual deputado estadual. A informação consta em portaria do dia 6 de julho de 2026, assinada pelo presidente da estatal, Adeilson Ribeiro Telles.

Salário e cargo na estatal

De acordo com a portaria, Ludimilla assumiu um cargo comissionado na Nuclep, com salário de R$ 39 mil mensais. A Nuclep, sediada em Itaguaí (RJ), é uma empresa pública vinculada ao Ministério de Minas e Energia, especializada na fabricação de equipamentos pesados para os setores nuclear e de óleo e gás. A nomeação ocorre em meio a um processo de reestruturação da estatal, que tem como objetivo ampliar sua atuação no programa nuclear brasileiro.

Reações e críticas internas

A indicação de Ludimilla foi recebida com críticas por parte de membros do PT fluminense, especialmente do deputado federal Washington Quaquá (PT-RJ). Em declarações à imprensa, Quaquá lembrou que Adeilson Telles, presidente da Nuclep e responsável pela nomeação, foi preso em 2018 durante a Operação Lava Jato. "É no mínimo constrangedor que uma indicação política venha de alguém com esse histórico", afirmou Quaquá. O parlamentar também questionou a falta de transparência no processo seletivo e a concentração de poder nas mãos do grupo político de André Ceciliano.

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Racha no PT do Rio

A nomeação expõe as divisões já existentes no PT do Rio, que se acentuaram após as eleições municipais de 2024. De um lado, o grupo liderado por André Ceciliano, que defende maior autonomia para alianças e indicações; de outro, a corrente mais alinhada à direção nacional, que prega maior rigor ético e transparência. A disputa interna já havia sido evidenciada em maio, quando a escolha de Adeilson Telles para a presidência da Nuclep foi criticada por parte da legenda. Agora, com a nomeação da esposa de Ceciliano, o racha se aprofunda.

Defesa da nomeação

Procurada, a assessoria de André Ceciliano não comentou a nomeação. Já a Nuclep, por meio de nota, afirmou que "a nomeação seguiu todos os trâmites legais e critérios técnicos exigidos para o cargo". A estatal destacou ainda que Ludimilla possui formação e experiência compatíveis com a função, mas não detalhou quais seriam essas qualificações. O PT nacional, até o momento, não se manifestou oficialmente sobre o caso.

Impacto político

Analistas políticos apontam que a crise no PT fluminense pode ter reflexos nas eleições de 2026, quando o partido tentará reconquistar o governo do estado. A falta de unidade interna é vista como um obstáculo para a construção de uma candidatura forte. Enquanto isso, a nomeação de Ludimilla Ceciliano segue como mais um capítulo na complexa disputa de poder dentro do partido.

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