MPRJ: 17% dos policiais do Bope retiraram câmeras em operação com 122 mortos
MPRJ: 17% dos policiais do Bope retiraram câmeras

O Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ) identificou que 17,6% dos policiais do Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope) retiraram suas câmeras corporais durante a megaoperação que resultou em 122 mortes nos complexos do Alemão e da Penha, em maio de 2022. A informação consta em relatório enviado ao Supremo Tribunal Federal (STF), que investiga possíveis abusos na ação intitulada Operação Contenção.

Investigação analisa mais de 3.600 horas de gravações

O MPRJ analisou as imagens de 51 policiais do Bope que participaram da operação. Desses, 9 agentes (17,6%) retiraram o equipamento em algum momento, e 4 (7,8%) apresentaram indícios de obstrução deliberada das imagens, como desligamento ou tampar a lente. Ao todo, foram examinadas mais de 3.600 horas de gravações, e 204 policiais já prestaram depoimento.

Segundo o relatório, a retirada das câmeras ocorreu em pontos críticos da operação, dificultando a reconstituição dos eventos que levaram às mortes. O documento foi encaminhado ao STF como parte da Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) 635, que trata do plano de redução da letalidade policial no Rio.

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Operação Contenção: contexto e consequências

A Operação Contenção foi deflagrada em 24 de maio de 2022, com objetivo de combater o tráfico de drogas nos complexos do Alemão e da Penha, na zona norte do Rio. O saldo de 122 mortos é um dos maiores já registrados em operações policiais no estado. A maioria das vítimas era moradora das comunidades, e houve relatos de execuções sumárias.

Após a operação, o tráfico retomou atividades na região, conforme apontam investigações. O MPRJ também apura se houve manipulação de cenas de crime e ocultação de provas.

Reações e próximos passos

O STF determinou que a Polícia Militar do Rio adote medidas para garantir o uso contínuo de câmeras corporais em operações. A defensoria pública e entidades de direitos humanos criticam a falta de transparência. O MPRJ deve concluir a análise das gravações nos próximos meses, podendo indiciar policiais por obstrução de justiça e homicídio.

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