O Ministério Público de São Paulo e a Polícia Civil do Estado cumprem, desde quarta-feira, 16, mandados de busca e apreensão contra familiares de Marco Williams Herbas Camacho, o Marcola, apontado como chefe do Primeiro Comando da Capital (PCC). A investigação, iniciada em janeiro de 2020, apura como o narcotraficante usaria a família para lavar o lucro do tráfico de drogas, com suspeita de ocultação de pelo menos R$ 1,9 milhão.
Alvos da operação
Os mandados têm como alvos Cynthia Giglioli da Silva, mulher de Marcola; os pais dela, Marivaldo da Silva Sobrinho e Maria do Carmo Giglioli da Silva; e os cunhados Camila Giglioli da Silva, Christiano Giglioli da Silva e Francisca Alves da Silva. A operação é conduzida pela 6ª Delegacia de Investigações sobre Facções Criminosas e Lavagem de Dinheiro do Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic).
Evolução patrimonial suspeita
A apuração começou com a compra de um imóvel de luxo em um condomínio em Carapicuíba, na Grande São Paulo. A partir daí, investigadores rastrearam transações imobiliárias milionárias entre os investigados e obtiveram a quebra dos sigilos fiscal e bancário. A suspeita é de que as movimentações sejam simuladas e subfaturadas para ocultar recursos do tráfico.
“É certo que a facção criminosa PCC tem proporcionado às lideranças e familiares uma vida de luxo”, afirma o Grupo de Atuação Especial de Combate do Crime Organizado (Gaeco) do Ministério Público de São Paulo. “De modo geral, verificou-se um grande descompasso entre o acervo patrimonial (imóveis, veículos, etc.) e a movimentação financeira que justificasse as aquisições”, completa o MP.
Vida de luxo de Cynthia
Cynthia Giglioli da Silva vive atualmente em um condomínio em Alphaville, na Grande São Paulo. Entre 2017 e 2019, ela teria feito viagens para a Europa, Colômbia, Peru, Paraguai e Panamá. Como fonte de renda declarada, possui um salão de beleza no bairro de Casa Verde, zona norte da capital paulista. Cynthia já foi condenada, em janeiro de 2008, a oito anos de prisão por lavagem de dinheiro e formação de quadrilha.
Investigação em postos de combustíveis
Em outra frente, a Polícia Civil de São Paulo investiga se postos de combustíveis são usados para lavagem de dinheiro do PCC. Em setembro, a Operação Rei do Crime revelou uma rede de 73 empresas suspeitas, ligadas principalmente a postos e lojas de conveniência, que movimentariam R$ 30 bilhões do tráfico.



