As ações da Weg (WEGE3) dispararam 12% nesta quinta-feira, 22 de julho, após a divulgação de um balanço trimestral acima das expectativas do mercado. O movimento abrupto de alta desencadeou um short squeeze, forçando investidores que apostavam contra o papel a recomprar ações para cobrir posições, o que amplificou a valorização. O papel fechou cotado a R$ 42,50, maior nível desde janeiro.
Balanço supera expectativas e gera otimismo
A empresa de motores elétricos e equipamentos industriais reportou lucro líquido de R$ 1,2 bilhão no segundo trimestre, alta de 35% ante o mesmo período de 2021. A receita líquida atingiu R$ 6,8 bilhões, crescimento de 22%, impulsionada pelas vendas no mercado externo e pela divisão de energia. A margem EBITDA ajustada subiu para 24,5%, contra 22,1% um ano antes.
Segundo a equipe de análise do Credit Suisse, “os números vieram acima do consenso, com destaque para a geração de caixa e a redução de alavancagem”. A recomendação para o papel é de compra, com preço-alvo de R$ 48.
Short squeeze amplifica ganhos
O forte movimento de alta pegou de surpresa os vendedores a descoberto. Dados da B3 indicavam que, até 15 de julho, 8,5% do free float da Weg estava alugado para operações de venda. Com o rali, muitos desses investidores foram forçados a recomprar ações rapidamente para limitar perdas, elevando ainda mais o preço.
“O short squeeze foi evidente. O volume negociado hoje foi mais de três vezes a média diária do mês, com R$ 4,2 bilhões em ações trocadas de mão”, afirmou um operador da mesa de renda variável de um grande banco nacional. O movimento da Weg ajudou a impulsionar o Ibovespa, que fechou em alta de 1,5%, aos 112.300 pontos.
Impacto no mercado e perspectivas
O índice acionário brasileiro foi beneficiado pelo peso da Weg, que tem a sexta maior participação na carteira teórica do Ibovespa. Outras ações de empresas com forte exposição ao mercado externo, como Embraer e Suzano, também subiram.
Para os analistas, o resultado da Weg reforça a tese de que empresas brasileiras com atuação global estão colhendo os frutos da desvalorização cambial e da demanda aquecida por equipamentos industriais. “A Weg é uma das melhores histórias de crescimento do Brasil, com governança corporativa exemplar”, destacou relatório do BTG Pactual.
A perspectiva para o papel segue positiva, mas o curto prazo pode ser volátil, especialmente se houver realização de lucros. O mercado monitora a evolução das margens e a capacidade da empresa de manter o ritmo de crescimento em meio a incertezas macroeconômicas globais.



