Janja atribui críticas a gastos públicos a 'misoginia pura'
Janja: críticas a gastos são 'misoginia pura'

A primeira-dama Rosângela da Silva, a Janja, afirmou em entrevista ao UOL que as críticas que sofre por supostamente gastar muito dinheiro público nas viagens oficiais são motivadas por “misoginia pura”. A declaração gerou reações, com analistas apontando que a argumentação pode ser uma tentativa de evitar o escrutínio obrigatório sobre o uso de recursos públicos.

Escrutínio sobre gastos públicos é obrigação, não preconceito

Especialistas em direito público e transparência destacam que todos os integrantes do Estado brasileiro, independentemente do sexo, devem prestar contas sobre despesas com dinheiro do contribuinte. “Usar a acusação de misoginia como artimanha retórica para esquivar-se de perguntas incômodas chega a ser cruel com as muitas mulheres que cotidianamente sofrem preconceito”, afirmou a analista política Maria Silva. A primeira-dama não apresentou dados concretos sobre os gastos questionados.

Janja se compara a Ruth Cardoso e gera polêmica

Na mesma entrevista, Janja declarou que o Brasil nunca teve uma primeira-dama que “trabalha efetivamente” como ela, menosprezando a atuação de Ruth Cardoso, que idealizou o Comunidade Solidária. “A sociedade brasileira, de modo geral, e a imprensa também não estavam acostumadas com isso”, disse Janja, sugerindo que o país não estava preparado para seu perfil. A fala foi criticada por historiadores, que lembram o legado de Ruth Cardoso e de outras primeiras-damas.

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Mulheres em ministérios: cobrança recai sobre Lula

Questionada sobre a baixa representatividade feminina no governo, Janja atribuiu a culpa aos partidos da base governista, que não indicam mulheres. Atualmente, dos 38 ministérios, apenas 8 são ocupados por mulheres. A primeira-dama não comentou as indicações de Lula para tribunais superiores, que, até julho do ano passado, incluíam nove homens e quatro mulheres. Para o STF, Lula escolheu Cristiano Zanin, Flávio Dino e Jorge Messias, deixando a corte com apenas uma ministra.

Críticas à gestão de gastos persistem

Enquanto Janja defende sua atuação, a oposição e setores da sociedade civil continuam a exigir transparência total sobre as despesas oficiais da primeira-dama. Dados obtidos via Lei de Acesso à Informação mostram que as viagens de Janja custaram aos cofres públicos R$ 1,2 milhão em 2023, valor que ela não detalhou. A assessoria da Presidência não respondeu aos pedidos de esclarecimento.

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