Foto de Flávio Bolsonaro com chefe da milícia do Banco Master gera polêmica
Foto de Flávio Bolsonaro com chefe de milícia gera polêmica

O portal ICL Notícias publicou uma foto que mostra o pré-candidato Flávio Bolsonaro (PL-RJ) ao lado de Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, o “Sicário” — apontado pela Polícia Federal como líder do setor de intimidação e coerção do Banco Master. A imagem foi divulgada nesta quarta-feira, 15, pela colunista Juliana Dal Piva e teria sido registrada em um hotel na zona sul do Rio de Janeiro em 2022.

Checagem descarta fraude por IA

Segundo o ICL, a foto foi checada em cinco diferentes plataformas de detecção de Inteligência Artificial, e a possibilidade de fraude foi descartada. A colunista obteve o material com uma fonte que preferiu não se identificar.

Em vídeo publicado nas redes sociais, Flávio Bolsonaro reagiu à publicação, afirmando que não sabe se a foto é real. “Se for verdade, certamente, é mais uma das várias que eu tiro todos os dias. Graças a Deus, por onde eu ando, todo mundo pede para tirar foto [...] Eu não tenho como saber quem é a pessoa tirando foto comigo”, disse o senador.

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Flávio compara com foto de Deolane com Lula

O pré-candidato usou o mesmo vídeo para relembrar a visita de Deolane Bezerra ao Palácio do Planalto, ocasião em que a influenciadora tirou fotos com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Deolane é investigada por lavagem de dinheiro para o Primeiro Comando da Capital (PCC) e tirou as fotos durante a campanha de 2022, antes de ser presa.

O “Sicário” é apontado pela PF como operador central do núcleo violento do Banco Master. Ele gerenciada dois times: “A Turma”, braço presencial de ameaças, intimidações e acesso clandestino a informações de Estado, e “Os Meninos”, núcleo tecnológico voltado a ataques cibernéticos e invasões telemáticas.

Plano de simular assalto contra jornalista

No processo que investiga o grupo, aparecem conversas entre Luiz Phillip Mourão e Daniel Vorcaro planejando simular um assalto contra o jornalista Lauro Jardim, do O Globo. A ideia era “quebrar os dentes” do jornalista para silenciar a cobertura negativa sobre o banco.

Mourão foi preso na Operação Compliance Zero e tentou suicídio horas depois, na cela em que aguardava audiência de custódia na Superintendência da PF em Minas Gerais. Levado a unidade hospitalar, teve morte cerebral confirmada dias depois. Antes de ser preso, Mourão já tinha passagens por estelionato, receptação, uso de documento falso e ameaça. Em 2021, o Ministério Público de Minas Gerais o denunciou, com outras dez pessoas, por um esquema de pirâmide financeira que teria lesado milhares de investidores.

Segunda revelação envolvendo Flávio e Banco Master

A foto é a segunda revelação envolvendo Flávio e o Banco Master. Em maio deste ano, o portal Intercept publicou áudios em que o pré-candidato pede dinheiro a Daniel Vorcaro. Antes do vazamento, Flávio Bolsonaro negou em diversas ocasiões conhecer o dono do banco Master. Horas antes da publicação, aliás, disse que sua relação com Vorcaro era uma mentira. Depois, voltou atrás e confirmou ter pedido dinheiro e visitado o banqueiro após a prisão.

Reações de adversários e aliados

A foto provocou reações entre adversários e aliados de Flávio Bolsonaro. Renan Santos (Missão), pré-candidato à Presidência, ironizou a imagem: “De um lado temos um bandido perigoso, envolvido com a banda podre da política, do Banco Master e do crime organizado. E do outro temos o Sicário”, disse.

O perfil oficial do PT no X também publicou a foto, mas se limitou a descrever o papel do “Sicário” no esquema do Banco Master. Já os aliados optaram por questionar a legitimidade da foto. Eduardo Bolsonaro, irmão de Flávio e ex-deputado federal, publicou a imagem, mas com alterações de IA. Ao invés de Luiz Philipe Mourão, quem acompanha o pré-candidato é o cantor Elvis Presley (1935-1977).

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O influenciador Paulo Figueiredo, aliado de Flávio nos EUA, questionou a procedência da foto. Ele afirmou que a imagem foi obtida por fonte anônima e que há versões divergentes sobre o local do registro. Para Figueiredo, a ausência do arquivo original com metadados impede uma autenticação definitiva. Figueiredo também criticou a checagem feita pelo ICL Notícias em plataformas de detecção de inteligência artificial, considerando o método pouco confiável. “Sou parado para tirar foto o tempo inteiro com pessoas que eu desconheço completamente. Vocês não tem ideia de como é com o Flávio - obviamente mil vezes pior. Então, se o Sicário pediu para tirar foto com ele em algum momento em 2022, duvido que o próprio Flávio saiba”, afirmou Figueiredo.