O Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa) divulgará nesta quinta-feira (23), em coletiva de imprensa às 17h em Brasília, o relatório final da investigação sobre a queda do avião da Voepass em Vinhedo (SP), que resultou na morte de 62 pessoas em agosto de 2024. O documento, elaborado pela Força Aérea Brasileira (FAB), passou por revisão de autoridades da França e do Canadá, conforme protocolo internacional para investigações de acidentes aéreos.
Detalhes da investigação técnica
Ao longo da investigação, o Cenipa realizou dezenas de perícias para reconstruir o voo e identificar os fatores que contribuíram para o acidente. Entre os principais trabalhos estão a análise do gravador de voz da cabine (CVR) e do gravador de dados de voo (FDR), a reconstrução completa do voo com comandos dos pilotos e alertas da aeronave, exames nos motores e sistemas de degelo e proteção contra estol, análise das condições meteorológicas, entrevistas com pilotos, mecânicos e familiares, estudo de mais de 15 mil voos da mesma frota, testes em simuladores e um voo experimental, além de análise de registros de manutenção e certificados médicos.
O relatório final passou por revisão do Bureau d'Enquêtes et d'Analyses pour la Sécurité de l'Aviation Civile (BEA), da França, país responsável pelo projeto e fabricação do ATR 72-500, e do Transportation Safety Board (TSB), do Canadá, responsável pelos motores. Após a coletiva, o documento será disponibilizado no site do Cenipa para consulta pública.
Investigação criminal da Polícia Federal
Paralelamente, a Polícia Federal está na fase final do inquérito que apura possíveis responsabilidades criminais. Em 30 de junho, representantes das famílias das vítimas tiveram acesso pela primeira vez à transcrição das conversas registradas na cabine, parte do laudo pericial do Instituto Nacional de Criminalística (INC). As conversas podem esclarecer se os pilotos acionaram o sistema de degelo, uma das hipóteses investigadas. Advogados das famílias esperam que a PF conclua o inquérito nos próximos 30 dias e encaminhe o caso ao Ministério Público Federal, com possíveis indiciamentos.
Ação coletiva de responsabilidade civil
Após a conclusão do inquérito, familiares das 62 vítimas preparam uma nova ação coletiva de responsabilidade civil por danos morais. Segundo o advogado Leonardo Amarante, a ação visa responsabilizar não apenas a companhia aérea, mas também pessoas físicas e instituições que contribuíram para a tragédia. "A associação vai ingressar com uma ação coletiva de responsabilidade civil por danos morais coletivos em função do que essa empresa causou para o transporte coletivo, transporte aéreo no Brasil, danos gravíssimos, não só os danos às pessoas, às vítimas, como também a própria coletividade", afirmou Amarante.
Relembre o acidente
O acidente ocorreu em 9 de agosto de 2024. O ATR 72-500, matrícula PS-VPB, fazia o voo entre Cascavel (PR) e Guarulhos (SP) e caiu no quintal de uma casa em um condomínio em Vinhedo. As 62 pessoas a bordo – 58 passageiros e quatro tripulantes – morreram. Nenhum morador ficou ferido. Foi o acidente mais grave da aviação brasileira desde o desastre da TAM em 2007.
Posicionamento da Voepass
Em nota, a Voepass afirmou que a queda do voo 2283 foi "o episódio mais difícil" de sua história e que segue solidária às famílias, mantendo suporte psicológico. A empresa destacou que sempre cumpriu exigências rigorosas de segurança e que a frota esteve aeronavegável conforme padrões internacionais. "Somente o relatório final do Cenipa poderá apontar, de forma conclusiva, as causas do ocorrido", disse a companhia, que colabora com as investigações e reafirma compromisso com a melhoria contínua da segurança.



