Um casal de idosos, de 84 e 66 anos, viveu por 20 anos em condição análoga à escravidão em Guarapuava, na região central do Paraná. Eles moravam em um paiol com estrutura podre, sem água encanada, e dependiam de terceiros para conseguir comida. O resgate ocorreu na quarta-feira (10) pela Secretaria de Inspeção do Trabalho (SIT), vinculada ao Ministério do Trabalho e Emprego (MTE).
Condições degradantes
Os auditores-fiscais do trabalho constataram que o casal improvisou três estruturas diferentes para morar, todas de madeira: um paiol antigo adaptado como casa, um banheiro e um local com chuveiro. O banheiro, a 20 metros do paiol, tinha paredes abertas com frestas, instalações elétricas improvisadas e abastecimento irregular de água. O alojamento corria risco de desabamento, incêndio, asfixia e intoxicação, com partes apodrecidas e lenha armazenada junto ao fogão.
Falta de direitos trabalhistas
O empregador, identificado como o produtor rural Elton Lange, não fornecia equipamentos de proteção nem insumos básicos. O casal não tinha registro em carteira, férias remuneradas, décimo terceiro salário nem recebia o piso regional. Foram identificadas 14 irregularidades administrativas. O fazendeiro deve pagar R$ 70 mil às vítimas e pode ser investigado pela Polícia Federal.
Resgate e encaminhamento
O resgate ocorreu na localidade de Combrão, próximo à PR-170. Os idosos foram levados para a casa de um filho, que cresceu no mesmo local e depois se mudou para a cidade. A água consumida era captada de nascentes e fervida quando possível. O casal corria riscos de picadas de animais peçonhentos e doenças respiratórias devido à falta de vedação das paredes.
Como denunciar
Casos de trabalho análogo à escravidão podem ser denunciados anonimamente pelo Sistema Ipê, disponível online, lançado pela SIT em parceria com a Organização Internacional do Trabalho (OIT).



