O governador de Goiás, Ronaldo Caiado (União Brasil), responsabilizou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o ministro da Justiça, Flávio Dino, pelo chamado “tarifaço” que, segundo ele, visa atender interesses de campanha eleitoral. Em entrevista coletiva nesta quinta-feira, Caiado afirmou que a medida é uma “intervenção indevida” na economia e que prejudica principalmente os consumidores mais pobres.
Caiado critica aumento de tarifas
O governador disse que o aumento das tarifas de energia elétrica e combustíveis, anunciado pelo governo federal, é uma “ação eleitoreira” para financiar promessas de campanha. “Lula e Flávio Dino estão usando o tarifaço para arrecadar recursos e beneficiar aliados, enquanto o povo paga a conta”, declarou. Caiado citou dados da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) que apontam reajuste médio de 12% nas contas de luz, o que, segundo ele, impacta diretamente a inflação e o poder de compra da população.
Impacto econômico e reações
O tarifaço, que inclui também aumento no preço da gasolina e do diesel, gerou críticas de diversos setores. A Confederação Nacional da Indústria (CNI) estima que o impacto pode elevar a inflação em 0,5 ponto percentual neste ano. Caiado alertou que a medida pode comprometer a retomada econômica e aumentar a desigualdade. “É uma política irresponsável, que sacrifica o desenvolvimento em nome de interesses partidários”, afirmou.
Defesa do governo e contexto eleitoral
O governo federal, por meio da Secretaria de Comunicação Social, defendeu o reajuste como necessário para equilibrar as contas públicas e garantir investimentos em infraestrutura. No entanto, Caiado rebateu: “Não se resolve déficit fiscal com aumento de impostos disfarçados de tarifas. Isso é populismo fiscal”. A declaração ocorre em meio ao período pré-eleitoral, com Lula e aliados buscando consolidar apoio para 2026. Caiado, que é pré-candidato à Presidência, vê no tarifaço uma oportunidade de criticar a gestão petista.
Consequências para o consumidor
Especialistas ouvidos pela reportagem apontam que o aumento das tarifas deve pressionar a inflação de serviços e produtos industrializados. O economista José Márcio Camargo, da consultoria Tendências, calcula que a conta de luz mais cara pode adicionar R$ 200 ao gasto anual das famílias de baixa renda. “O tarifaço é uma medida que fere o bolso do trabalhador e beneficia grupos específicos”, disse. Caiado concluiu afirmando que irá acionar a Justiça para questionar a legalidade dos reajustes, caso eles não sejam revistos.



