A Associação Brasileira de Empresas de Pesquisa (Abep) manifestou-se contra a iniciativa do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) de criar um selo de qualidade para institutos de pesquisa eleitoral. Em nota divulgada nesta quarta-feira, a entidade afirmou que a Justiça Eleitoral não é ‘árbitro de qualidade’ e que a medida pode gerar distorções no mercado.
Críticas à proposta do TSE
Segundo a Abep, o selo de qualidade proposto pelo TSE ‘não encontra respaldo técnico’ e ‘pode induzir o eleitor a erro, ao dar um selo de aprovação oficial a institutos que podem não ter a metodologia mais adequada’. A associação defende que a qualidade das pesquisas deve ser avaliada por especialistas e pela própria concorrência, não por um órgão estatal.
‘O TSE não é árbitro de qualidade. A qualidade de uma pesquisa é determinada por sua metodologia, transparência e histórico de acertos, não por um selo concedido por uma autoridade pública’, diz a nota da Abep.
Detalhes da proposta
A proposta do TSE foi anunciada pelo presidente da corte, ministro Luís Roberto Barroso, como parte de um pacote de medidas para aumentar a transparência das pesquisas eleitorais. O selo seria concedido a institutos que atendessem a critérios como divulgação completa da metodologia, acesso aos dados brutos e realização de auditorias independentes.
Barroso defendeu a iniciativa como forma de ‘combater a desinformação’ e ‘garantir que o eleitor tenha acesso a pesquisas confiáveis’. No entanto, a Abep argumenta que a medida pode criar um ‘monopólio estatal’ da credibilidade, prejudicando institutos menores.
Impacto no setor
De acordo com a Abep, a associação representa 130 empresas de pesquisa no Brasil e teme que o selo do TSE ‘crie uma hierarquia artificial’ entre os institutos. ‘Pesquisas com metodologias diferentes podem ser igualmente válidas para seus propósitos. Um selo oficial pode levar o eleitor a achar que apenas os institutos certificados são confiáveis’, alerta a nota.
A entidade também critica a falta de diálogo com o setor antes do anúncio. ‘Não fomos consultados sobre os critérios do selo. A medida foi tomada de forma unilateral, sem ouvir os especialistas que atuam no mercado de pesquisas’, afirma a Abep.
Próximos passos
O TSE ainda não detalhou como será a implementação do selo nem quais institutos seriam elegíveis. A Abep promete acompanhar o processo e ‘defender a autonomia técnica’ das empresas de pesquisa. ‘Vamos continuar dialogando, mas deixamos claro que não aceitaremos qualquer interferência que comprometa a independência das pesquisas’, conclui a associação.



