Rússia fora da Copa de 2026: entenda os motivos da exclusão
Rússia fora da Copa de 2026: motivos da exclusão

A Copa do Mundo de 2026, que será sediada por Estados Unidos, Canadá e México, marca a estreia do novo formato com 48 seleções, ampliando a participação de equipes de menor expressão. No entanto, algumas seleções ficaram de fora, como a Rússia. O motivo não é o desempenho em campo, mas sim a suspensão imposta pela Fifa e pela Uefa desde fevereiro de 2022, quando a Rússia iniciou a invasão em larga escala da Ucrânia, guerra que perdura até hoje.

Suspensão russa das competições

A decisão de suspender a Rússia de todas as competições internacionais foi tomada em conjunto com a Uefa e abrange todas as categorias, desde as seleções de base até as equipes masculinas e femininas, além dos clubes do país. Na época, a Federação Russa de Futebol (RFU) disputava a repescagem para a Copa do Mundo do Catar e enfrentaria a Polônia, que se recusava a jogar contra os russos. Após a punição, a Polônia foi declarada vencedora do confronto. Desde então, a Rússia tem disputado apenas amistosos.

Outros países em guerra não foram banidos

Apesar da exclusão da Rússia, outros países em conflito não sofreram a mesma sanção. Os Estados Unidos, um dos anfitriões da Copa de 2026, estão em conflito com o Irã desde fevereiro deste ano e participam de operações militares no Oriente Médio, mas não foram banidos. O Irã, também envolvido em conflitos regionais, disputará normalmente o torneio. Para especialistas, a diferença de tratamento reside no contexto político e na pressão internacional.

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Rodrigo Amaral, professor de Relações Internacionais da PUC-SP, afirma que a exclusão russa ocorreu em um cenário de forte pressão liderada por países ocidentais. "A Rússia foi amplamente isolada por países ocidentais, que possuem enorme influência sobre organizações internacionais, mercados esportivos, patrocinadores e meios de comunicação. Esse contexto criou uma pressão sem precedentes", diz. Para ele, a decisão da Fifa revela um critério "extremamente parcial" na aplicação de sanções esportivas.

Já Vitélio Brustolin, professor de Relações Internacionais da UFF e pesquisador de Harvard, aponta razões práticas: após a invasão, seleções como Polônia, Suécia e República Tcheca se recusaram a enfrentar a Rússia, o que comprometeria a organização dos torneios. "Se a Rússia estivesse em uma competição e os adversários se recusassem a jogar, ela poderia avançar por razões não esportivas, gerando incerteza", afirma. Ele também destaca que a guerra na Europa gerou uma mobilização maior do que em outros conflitos.

Brustolin ressalta a diferença na natureza jurídica da invasão: enquanto a Rússia busca conquista territorial e limitação da soberania ucraniana, os EUA invadiram o Iraque em 2003 sem mandato da ONU e não foram banidos. "Existe uma discussão legítima sobre duplo padrão", conclui.

Pressão e possibilidade de retorno

Em março deste ano, o presidente da Fifa, Gianni Infantino, defendeu o retorno da Rússia, afirmando que a suspensão "não alcançou nada, apenas criou mais frustração e ódio". Por outro lado, o ministro do Esporte da Ucrânia, Matvii Bidnyi, classificou os comentários como "irresponsáveis" e "infantis", destacando que mais de 15 mil pessoas morreram na guerra, segundo a ONU.

Outros casos de exclusão

A exclusão de países por conflitos não é inédita. Em 1992, a Iugoslávia foi suspensa após sanções da ONU durante a guerra dos Bálcãs. A África do Sul também ficou décadas afastada do futebol internacional durante o regime do apartheid, entre 1948 e 1994.

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