O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) apresentou à Justiça, nesta quarta-feira, um depoimento por escrito no qual nega ter caluniado o presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao afirmar que o petista mantinha relações obscuras com o ditador venezuelano Nicolás Maduro. A peça foi protocolada no âmbito de uma ação penal movida por Lula, que acusa o parlamentar de injúria e difamação.
Acusação e defesa
Na representação original, Lula alega que Flávio Bolsonaro, durante um evento em 2025, teria dito que o ex-presidente tinha "negócios escusos" com Maduro, envolvendo tráfico de influência e desvio de recursos públicos. A fala teria sido feita em tom acusatório e sem provas. Flávio, por sua vez, sustenta que jamais caluniou Lula, mas apenas repetiu informações que circulavam em veículos de imprensa e relatórios de inteligência.
"Nunca tive a intenção de ofender a honra do presidente Lula. Apenas reproduzi fatos que já eram de domínio público, amplamente divulgados por órgãos de imprensa nacionais e internacionais", escreveu o senador em seu depoimento. A defesa de Flávio anexou ainda recortes de reportagens que, segundo eles, comprovam que a associação entre Lula e Maduro já era discutida publicamente antes de suas declarações.
Detalhes do depoimento
O documento, de 15 páginas, também traz uma cronologia das investigações da Polícia Federal sobre supostos contatos entre o Partido dos Trabalhadores e o regime chavista. Flávio cita especificamente um relatório da PF de 2023 que menciona encontros entre assessores de Lula e representantes de Maduro. "Não há qualquer ilicitude nesses contatos, mas a existência deles é fato notório", argumenta o senador.
A defesa de Lula, porém, contesta a validade das provas apresentadas. "A reprodução de notícias falsas ou distorcidas não exime ninguém de responsabilidade. Utilizar-se de informações não verificadas para atacar a honra de um cidadão é crime, e ponto", afirmou o advogado Cristiano Zanin, que representa o presidente na ação.
Próximos passos
O juiz responsável pelo caso, na 1ª Vara Criminal de Brasília, agora analisará o depoimento e decidirá se acolhe a defesa de Flávio ou se dá prosseguimento ao processo. A expectativa é que haja uma audiência de instrução nos próximos meses, onde testemunhas poderão ser ouvidas. O senador, que já foi alvo de outras ações por declarações polêmicas, mantém-se confiante na absolvição.
"Estou tranquilo. A verdade sempre prevalece", concluiu Flávio Bolsonaro em nota à imprensa após protocolar o depoimento.
Impacto político
O caso tem repercussão no Congresso e entre eleitores de ambos os lados. Para aliados de Lula, a ação é uma forma de coibir a disseminação de fake news e proteger a imagem do chefe do Executivo. Já apoiadores de Bolsonaro veem nela uma tentativa de silenciar críticas ao governo petista. O desfecho judicial pode influenciar o cenário das próximas eleições presidenciais.
Segundo analistas políticos, a disputa judicial entre Lula e Flávio Bolsonaro é sintomática da polarização que marca o país. "Cada lado usa o Judiciário como instrumento de guerra política. O resultado deste processo será observado de perto, pois pode estabelecer precedentes sobre os limites da liberdade de expressão de parlamentares", avalia a cientista política Maria do Socorro Braga, da Universidade de Brasília.
O número de ações de Lula contra difamadores cresceu nos últimos anos. Dados do Supremo Tribunal Federal indicam que, desde 2023, o presidente moveu ao menos 12 queixas-crime contra adversários, sendo três delas contra membros da família Bolsonaro. Flávio é o primeiro a apresentar defesa escrita com esse nível de detalhamento.



