Dois policiais penais que atuavam na Unidade Prisional de Araguatins, no Tocantins, foram afastados imediatamente de suas funções por determinação da Justiça. A suspeita é de que os servidores concediam regalias a detentos líderes de um esquema de estelionato eletrônico e lavagem de dinheiro, investigado na Operação Falsum Imperium.
Afastamento cautelar
Os policiais Lucio Mota Duarte e Kainnan Andrade Almeida Pereira estão proibidos de acessar qualquer unidade prisional, delegacia ou prédio administrativo vinculado à Secretaria da Cidadania e Justiça (Seciju) e à Secretaria de Segurança Pública. Também tiveram seus acessos aos sistemas suspensos e não podem manter contato com testemunhas e quatro investigados da operação, incluindo os detentos beneficiados.
Regalias incompatíveis com a rotina prisional
De acordo com o Ministério Público do Tocantins (MPTO), os detentos Diego Freitas da Silva e Thalisson Igor dos Santos, apontados como chefes do esquema de estelionato virtual, vinham recebendo tratamento privilegiado dentro da unidade. A principal irregularidade constatada foi a permanência desses detentos fora das celas em horários e condições incompatíveis com as normas prisionais. A investigação associa esse "tratamento diferenciado" à proximidade e amizade mantida entre os servidores e os presos.
Movimentações bancárias suspeitas
Durante as investigações, foi constatado que o policial Lucio Mota Duarte movimentou em sua conta bancária a quantia de R$ 2.663.932,90 no período de cinco anos. Esse valor é considerado desproporcional aos seus rendimentos como servidor público. Foram identificadas transferências diretas da conta de Lucio para a conta do preso Diego Freitas da Silva. Já o policial Kainnan apresentou indícios de transferências bancárias para um irmão de Diego, que também teria envolvimento no esquema criminoso.
Depoimentos e evidências
Em depoimento à autoridade policial, Lucio Mota Duarte confirmou que possui "amizade e convivência habitual" com o detento Diego Freitas da Silva. Quanto a Kainnan, evidências extraídas de celulares comprovam um contato constante com familiares dos presos envolvidos na Operação Falsum Imperium. A Justiça considerou que a manutenção dos dois em suas funções representaria uma ameaça direta à coleta de provas e ao andamento das investigações.
Operação Falsum Imperium
A operação ocorreu no dia 14 de julho de 2026 e prendeu quatro suspeitos em Araguatins, com idades entre 20 e 67 anos. Eles são suspeitos de integrar um esquema de estelionato virtual e lavagem de dinheiro que movimentou mais de R$ 4 milhões desde 2020. A polícia informou que, após as vítimas pagarem por produtos falsos, o dinheiro era distribuído em diversas contas bancárias para dificultar o rastreamento. As investigações começaram após denúncias anônimas sobre o padrão de vida incompatível de um dos suspeitos.
Posicionamento oficial
A Secretaria de Cidadania e Justiça (Seciju) informou que iniciou os processos administrativos para o afastamento dos servidores e que colabora integralmente com as autoridades, não compactuando com irregularidades. Já o Sindicato dos Policiais Penais do Tocantins (SINDIPPEN/TO) afirmou que acompanha o caso e ressaltou que o afastamento cautelar não deve ser interpretado como condenação antecipada. A entidade defende que as responsabilidades devem ser apuradas individualmente e que a conduta de poucos não reflete o trabalho de toda a categoria.
Consequências do descumprimento
A decisão judicial estabelece que o descumprimento de qualquer uma das proibições, como tentar acessar sistemas prisionais ou contatar testemunhas, pode levar à decretação da prisão preventiva dos investigados. Atualmente, apesar de suspensos das funções físicas e administrativas, os servidores continuam recebendo remuneração proporcional ao cargo enquanto o processo disciplinar e a investigação criminal avançam.



