Mulher arremessada de penhasco de 100m pelo ex é denunciada em Inhapim
Arremessada de penhasco de 100m: ex denunciado em Inhapim

A diarista Flávia Silva Marques, de 27 anos, foi arremessada de um penhasco de aproximadamente 100 metros de altura no fim de junho, em Inhapim (MG). O ex-companheiro dela, Josilei Silva Souza, de 27 anos, foi denunciado pelo Ministério Público nesta terça-feira (28) pelos crimes de feminicídio consumado, ocultação de cadáver, estupro, sequestro, cárcere privado, fraude processual, invasão de dispositivo informático, tortura e perseguição qualificada.

Dinâmica do crime

Segundo a denúncia do Ministério Público de Minas Gerais (MPMG), Flávia foi perseguida por Josilei até um precipício localizado na divisa entre o Córrego da Ferrugem e o Córrego da Barreira. O laudo pericial apontou evidências de luta corporal entre os dois antes de o homem empurrar a ex-companheira. A vítima sofreu politraumatismo e choque hipovolêmico, que causaram a morte. O laudo também identificou elementos de reação vital aos traumatismos, comprovando que Flávia ainda estava viva no momento da queda.

Após o crime, Josilei não prestou socorro, não acionou os serviços de emergência nem comunicou o ocorrido aos familiares. Ele abandonou o local e ocultou o paradeiro do corpo. Além disso, apoderou-se dos pertences de Flávia, descartou a bolsa e a blusa em locais distintos, retirou os chips do celular da vítima, colocou-os em seu próprio aparelho e apagou as mensagens trocadas entre os dois. Somente após ser confrontado pelos policiais, ele indicou onde o corpo havia sido deixado e onde descartou os objetos.

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Imagens de câmeras de segurança

As investigações da Polícia Civil reuniram imagens de câmeras de segurança que ajudaram a esclarecer a dinâmica do crime. Um dos equipamentos registrou a passagem de Flávia nas proximidades da casa onde morava. Minutos depois, a mesma câmera flagrou um carro utilizado por Josilei seguindo na mesma direção. Outra câmera registrou a vítima caminhando por uma estrada de acesso a uma fazenda. Segundo o Ministério Público, Josilei acompanhou os deslocamentos da ex-companheira e a levou até o penhasco, onde o crime foi cometido.

Histórico de violência

Flávia e Josilei foram casados por aproximadamente dez anos e tiveram duas filhas, de 8 e 3 anos. Flávia decidiu encerrar o relacionamento cerca de seis meses antes do crime, decisão que, conforme o MPMG, não foi aceita pelo ex-companheiro. O relacionamento foi marcado por agressões físicas, perseguições e ameaças. Inconformado com a separação, Josilei teria ameaçado matá-la caso ela não reatasse. As investigações também indicaram que a vítima foi submetida a violência física, psicológica e sexual.

O MPMG sustenta que os crimes foram praticados por razões da condição do sexo feminino, motivados pelo sentimento de posse e pela inconformidade do denunciado com o fim do relacionamento. A denúncia foi oferecida com base nas investigações policiais, que apontaram indícios suficientes de autoria e materialidade.

Prisão e situação atual

Josilei está preso no Presídio de Inhapim. O mandado de prisão preventiva foi cumprido cinco dias após o crime. Ele responde pelos crimes de feminicídio consumado, qualificado por motivo torpe e mediante recurso que dificultou a defesa da vítima; ocultação de cadáver; estupro; sequestro e cárcere privado qualificado; fraude processual; invasão de dispositivo informático qualificada; tortura; e perseguição qualificada.

O caso teve grande repercussão na cidade de Inhapim, que possui cerca de 24 mil habitantes. Familiares relataram que Flávia deixou as duas filhas na casa dos pais para ir a uma festa no sábado (27). No mesmo dia, parentes receberam mensagens enviadas do celular dela. Depois disso, ela não voltou a fazer contato. O corpo foi encontrado quase uma semana após o desaparecimento, graças à localização indicada pelo suspeito.

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