Em uma reunião fechada com aliados nesta semana, Michelle Bolsonaro sinalizou que pode desistir de sua pré-candidatura ao Senado pelo Distrito Federal e até mesmo abandonar a vida política. A insatisfação da ex-primeira-dama com os rumos do Partido Liberal (PL) e a falta de protagonismo dentro da legenda seriam os principais motivos para a ameaça.
Pressão interna e falta de apoio
Segundo interlocutores presentes no encontro, Michelle teria dito que não se sente acolhida pela cúpula do PL e que suas pautas, como a defesa da família e dos valores conservadores, não estão sendo priorizadas. A ex-primeira-dama também reclamou da falta de estrutura para sua campanha e do pouco espaço que tem recebido nas decisões partidárias.
“Ela deixou claro que, se as coisas não mudarem, prefere não disputar o Senado e se afastar de vez da política”, afirmou um aliado sob reserva. A declaração pegou muitos de surpresa, já que Michelle vinha sendo tratada como um dos principais nomes do bolsonarismo para as eleições de 2026.
Relação estremecida com Valdemar Costa Neto
A relação de Michelle com o presidente do PL, Valdemar Costa Neto, também é apontada como um fator de desgaste. Fontes próximas afirmam que a ex-primeira-dama se sente preterida em relação a outros nomes do partido e que Valdemar não teria dado a devida atenção às suas demandas. A falta de diálogo teria sido um dos estopins para a insatisfação.
Procurado, o PL não comentou as informações. A assessoria de Michelle Bolsonaro limitou-se a dizer que ela segue avaliando seu futuro político e que nenhuma decisão foi tomada até o momento.
Impacto para o bolsonarismo
A eventual desistência de Michelle representaria uma baixa significativa para o bolsonarismo no Distrito Federal, onde ela despontava como favorita nas pesquisas de intenção de voto. Levantamento recente do Instituto Paraná Pesquisas mostrava Michelle com 35% das intenções de voto para o Senado, à frente de outros pré-candidatos.
Analistas políticos avaliam que a saída de Michelle poderia enfraquecer a base de Jair Bolsonaro, que já enfrenta desafios para manter a coesão do grupo após a inelegibilidade do ex-presidente. “Michelle é uma figura importante para manter o eleitorado feminino e conservador engajado. Sem ela, o bolsonarismo perde uma peça-chave”, analisa o cientista político Carlos Melo.
Próximos passos
Michelle deve se reunir nos próximos dias com aliados mais próximos, incluindo o senador Flávio Bolsonaro, para discutir os rumos de sua pré-candidatura. A expectativa é que uma decisão definitiva seja anunciada até o final do mês.
Enquanto isso, nos bastidores, articuladores do PL tentam convencê-la a permanecer no páreo, oferecendo mais espaço e recursos para sua campanha. Resta saber se as concessões serão suficientes para reverter a insatisfação da ex-primeira-dama.



