Hospital lotado na Venezuela trata pacientes até no estacionamento após terremoto
Venezuela: hospital trata pacientes no estacionamento após terremoto

A Organização Mundial da Saúde (OMS) informou nesta terça-feira que o sistema de saúde da Venezuela está sob forte pressão após os terremotos mortais da semana passada. Alguns hospitais foram danificados e outros estão sem pessoal suficiente para atender a demanda. Em um hospital superlotado, pacientes chegam a ser tratados no estacionamento.

Números do desastre

Mais de 1.700 pessoas morreram e 5.000 ficaram feridas depois que centenas de edifícios foram destruídos ou danificados pelos tremores consecutivos de magnitude 7,2 e 7,5. O balanço mais recente do governo venezuelano, divulgado às 15h desta segunda-feira (29), aponta 1.719 mortos, 5.034 feridos e 15.866 pessoas deslocadas. Além disso, 22.619 pessoas receberam atendimento hospitalar devido aos ferimentos. Os números são provisórios e tendem a aumentar.

Hospitais danificados e falta de pessoal

O porta-voz da OMS, Christian Lindmeier, afirmou em coletiva de imprensa em Genebra que pelo menos três unidades de saúde estão gravemente danificadas e outras seis estão danificadas ou funcionando apenas parcialmente. Um levantamento de 21 unidades de saúde revelou que as demais permanecem operacionais, mas sob forte pressão. "Constatações preliminares revelam prestação de serviços caótica e fluxo de pacientes desorganizado, marcado por superlotação e aumento do acúmulo de cirurgias", acrescentou Lindmeier.

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Vários profissionais de saúde especializados em atendimento materno na região de La Guaira continuam desaparecidos, criando uma lacuna crítica no atendimento obstétrico, segundo Lindmeier.

Risco de surtos de doenças

As milhares de pessoas deslocadas pelos terremotos também correm risco de surtos de doenças como febre amarela e dengue, especialmente devido à cobertura vacinal relativamente baixa, alertou a OMS.

Região mais atingida

Os locais mais atingidos ficam no litoral da porção leste do país, sendo La Guaira a cidade que mais sofreu danos. A região do desastre inclui também Caracas e Maiquetía, onde fica o Aeroporto Internacional Simón Bolívar, a principal porta de entrada do país, que permanece fechado até segunda ordem. Outros aeroportos internacionais, como o de Valencia, foram reabertos.

Milhões afetados

Uma projeção da Organização Internacional para as Migrações (OIM) da ONU estimou que mais de 6 milhões de pessoas podem ter sido afetadas pelos tremores. A entidade estima também que 50 mil pessoas possam estar desaparecidas no total.

Contexto dos terremotos

Na noite de quarta-feira (24), dois terremotos em sequência atingiram a região norte do país, onde fica Caracas. Além das mortes, os tremores derrubaram prédios e deixaram um rastro de destruição na capital venezuelana e arredores. Os sismos foram os mais fortes no país em mais de 100 anos.

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