Pesquisa Datafolha divulgada nesta segunda-feira (29) revela que a maioria dos brasileiros não consegue citar nomes de deputados ou senadores em exercício. O levantamento mostra que 62% dos entrevistados não souberam mencionar um único deputado federal, enquanto 58% não lembraram de nenhum senador. O estudo evidencia o distanciamento entre a população e o Congresso Nacional, mesmo em ano eleitoral.
Metodologia e abrangência
O Datafolha entrevistou 2.000 eleitores em todo o Brasil entre os dias 24 e 26 de junho de 2025. A margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou para menos. O levantamento faz parte de uma série de pesquisas sobre o conhecimento político dos brasileiros.
Entre os que conseguiram citar algum parlamentar, os nomes mais lembrados foram de figuras com grande exposição na mídia, como o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP). No entanto, mesmo esses percentuais são baixos: Flávio foi citado por 7% dos entrevistados, e Eduardo por 5%.
Desconhecimento generalizado
O desconhecimento não se restringe a parlamentares pouco conhecidos. Apenas 18% dos entrevistados souberam identificar corretamente o cargo do presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), e 15% o do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP).
Para o cientista político Carlos Melo, do Insper, os números refletem uma crise de representatividade. "O eleitor não conhece em quem vota, e isso enfraquece a democracia. A falta de informação leva a escolhas baseadas em sobrenomes ou em promessas vagas, sem avaliação de desempenho", afirmou.
Comparação com anos anteriores
Em 2022, pesquisa semelhante do Datafolha mostrou que 55% não sabiam citar um deputado federal. O aumento para 62% em 2025 indica piora no conhecimento político. Especialistas apontam que a fragmentação partidária e o volume de informações nas redes sociais podem contribuir para a confusão.
A pesquisa também perguntou sobre a avaliação do Congresso: 41% consideram o Legislativo ruim ou péssimo, 35% regular e 24% ótimo ou bom. O índice de aprovação caiu em relação a 2024, quando era de 28%.



