Câmara entra em recesso sem punir bolsonaristas que ocuparam Mesa
Câmara não pune bolsonaristas que ocuparam Mesa

A Câmara dos Deputados entrou em recesso parlamentar sem concluir o processo de punição contra os deputados bolsonaristas Marcel Van Hattem, Zé Trovão e Marcos Pollon, que ocuparam a Mesa Diretora em protesto contra a prisão do ex-presidente Jair Bolsonaro. A ocupação ocorreu há quase um ano, e a avaliação de lideranças partidárias é que o tema deve ser postergado para o segundo semestre ou até mesmo após as eleições municipais de outubro.

Punição de 60 dias de suspensão ainda depende da CCJ

O Conselho de Ética e Decoro Parlamentar já aprovou a suspensão de 60 dias dos mandatos dos três parlamentares, mas a decisão final depende da análise da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) e posterior votação em Plenário. Com o recesso, os prazos processuais ficam suspensos, e não há previsão de retomada antes de agosto. Segundo fontes ouvidas pela reportagem, o esvaziamento do Congresso durante o período eleitoral torna improvável que a punição seja votada antes de novembro.

Ocupação da Mesa foi ato de protesto político

Em agosto de 2025, os três deputados invadiram a Mesa Diretora durante uma sessão, exigindo a libertação de Bolsonaro, preso por ordem do Supremo Tribunal Federal (STF). O ato gerou forte reação da base governista e levou à abertura de representação por quebra de decoro. O relator do caso no Conselho de Ética, deputado Ricardo Ayres (Republicanos-TO), recomendou a suspensão máxima, mas o processo enfrentou sucessivos pedidos de vista e manobras regimentais.

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Impacto político e expectativas para o segundo semestre

Lideranças da oposição afirmam que o adiamento beneficia os acusados, que evitam a penalidade em ano eleitoral. Já governistas criticam a morosidade e acusam a presidência da Câmara, deputado Hugo Motta (Republicanos-PB), de falta de empenho. Motta, por sua vez, tem negociado com as bancadas para construir um consenso, mas reconhece que o tema é sensível e pode gerar desgaste. A expectativa é que a CCJ analise o parecer apenas em setembro, após o recesso eleitoral.

Recesso e calendário eleitoral atrasam decisão

O recesso parlamentar começou em 17 de julho e se estende até 1º de agosto. Depois disso, o calendário será dominado pela campanha eleitoral, reduzindo o quórum e a disposição dos deputados para votar temas polêmicos. A avaliação generalizada é que a punição só será retomada após o segundo turno das eleições, em outubro, ou mesmo em novembro, quando o Congresso volta a funcionar plenamente.

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