O presidente do Senado Federal, Davi Alcolumbre (União-AP), classificou como inadequadas as “agressões, ofensas e ataques” que vem sofrendo de “autoridades” em razão dos projetos que tem pautado na Casa. A declaração foi feita no plenário do Senado na tarde desta terça-feira (30).
Alcolumbre critica tratamento de autoridades
“Não está bom, não é adequada a maneira que algumas autoridades da República estão tratando alguns assuntos que estão pendentes de apreciação no Senado Federal. Não está normal as agressões, as ofensas e os ataques que o presidente do Senado Federal está tendo a todo instante”, afirmou Alcolumbre durante sessão de debate de uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que cria aposentadoria especial para agentes comunitários de saúde e de combate às endemias.
A PEC, por seu impacto bilionário nas contas públicas, é considerada uma das “pautas-bomba” encampadas pelo senador. O tema foi discutido em reunião na mesma terça entre Alcolumbre, a senadora Teresa Leitão (PT-PE) — nova líder do governo no Senado — e o ministro das Relações Institucionais, José Guimarães.
Postura de neutralidade e críticas ao governo
Desde o início de sua gestão, Alcolumbre adotou uma postura pública de neutralidade, afirmando estar aberto ao diálogo com o governo, mas reclamando de ataques, principalmente nas redes sociais, que atribui a integrantes do Executivo. “Eu vou defender uma casa bicentenária na condição de presidente do Senado Federal e não aceito ofensas, agressões e ataques por aqueles que acusavam outrora, outra autoridade. E que agora estão fazendo a mesma coisa com o presidente do Senado agora e que no ano passado fizeram com o presidente da Câmara dos Deputados, colocando um carimbo como o Congresso inimigo do povo”, disse.
Histórico de embates com o Executivo
Em maio do ano passado, Alcolumbre já havia criticado o governo durante a queda de braço sobre o aumento do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF). Na ocasião, chamou de “usurpação” a tentativa do governo de aumentar o tributo. “Que este exemplo do IOF, dado pelo governo federal, seja o último daquelas decisões tomadas pelo governo tentando, de certo modo, usurpar as atribuições legislativas do poder Legislativo”, afirmou.
Nesta terça, um ano depois e após vários entraves entre os poderes, Alcolumbre volta a reclamar da pressão que sofre em razão da possibilidade de aprovação de “pautas-bomba” ao orçamento do Executivo, que, segundo ele, culpam o Congresso Nacional.
Defesa da PEC e críticas aos ataques
“Essa PEC é muito importante e eu não vou retirá-la de pauta. O que eu estou fazendo aqui, pagando um preço caríssimo, inclusive no CPF pessoal, é tentar equilibrar um país absolutamente dividido no ano da eleição. Isso é uma tarefa muito árdua, dramática porque, como você não consegue escolher um lado, na minha condição, você é ofendido pelos dois lados. Todo dia de manhã, eu sou ofendido por um lado, à tarde, pelo outro lado, e à noite sou ofendido pelos dois lados. Isso está impossível. Isso está apequenando a política, o debate institucional republicano porque no meio dos ataques e ofensas, eles vêm junto com as ameaças”, disse.
Alcolumbre também comparou a gestão do ex-presidente Jair Bolsonaro com a do presidente Lula no modo de protestar e atacar autoridades. “Quando outras autoridades subiam em cima de um trio elétrico, em uma avenida para ofender as instituições, eles estavam atentando contra o estado democrático de direito e contra as instituições. Passaram alguns anos, essas mesmas autoridades que ofenderam o ex-presidente da República são as mesmas que estão subindo em cima dos mesmos trio elétrico e ofendendo a instituição, Senado da República, Presidência do Congresso Nacional, Senador Davi Alcolumbre. É a mesma coisa”, reclamou.



