Zema propõe excluir beneficiários que recusarem emprego para evitar 'imprestáveis'
Zema quer excluir beneficiários que recusarem emprego

O ex-governador de Minas Gerais e pré-candidato do Partido Novo à Presidência, Romeu Zema, propôs a exclusão de beneficiários de programas sociais que recusarem ofertas de emprego. A declaração foi feita durante evento da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), realizado em Brasília. Segundo Zema, a medida visa evitar a formação de uma 'geração de imprestáveis' e garantir que os auxílios sejam direcionados a quem realmente precisa.

Condições para recebimento de benefícios

Zema defendeu que, além de aceitar empregos quando oferecidos, os beneficiários devem concluir o ensino básico ou técnico enquanto estiverem desempregados. 'Não podemos perpetuar uma situação em que as pessoas recebem dinheiro público sem contrapartida. Quem recusa uma vaga de trabalho ou não busca se qualificar não deve continuar no programa', afirmou o pré-candidato.

A proposta gerou debate entre especialistas em políticas sociais. Para o economista Carlos Alberto de Oliveira, da Universidade de São Paulo, a ideia pode ter efeitos positivos na redução da dependência, mas exige cuidado para não penalizar quem enfrenta barreiras reais de acesso ao mercado de trabalho. 'É necessário garantir que as ofertas sejam compatíveis com a qualificação e a realidade do trabalhador, além de assegurar vagas em quantidade suficiente', ponderou.

Banner largo do Pickt — app de listas de compras colaborativas para Telegram

Flexibilização da CLT e privatizações

No mesmo evento, Zema também defendeu a flexibilização da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) como forma de estimular a geração de empregos. 'A CLT engessa as relações de trabalho e afasta investidores. Precisamos de uma legislação moderna que permita mais acordos entre patrões e empregados', declarou.

Além disso, o pré-candidato propôs a privatização de estatais, com o objetivo de levantar recursos para investimentos em infraestrutura e redução da dívida pública. 'O Estado não pode ser empresário. Vender empresas estatais vai gerar caixa para obras e pagar contas', disse Zema, citando como exemplo a bem-sucedida venda da Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig) durante sua gestão.

Repercussão no cenário político

As declarações de Zema ocorrem em meio à pré-campanha presidencial, na qual ele busca se consolidar como alternativa de direita. Analistas políticos apontam que a pauta de reformas trabalhistas e de enxugamento do Estado pode atrair o eleitorado liberal, mas também enfrenta resistência de setores sindicais e movimentos sociais.

Até o momento, a campanha de Zema não detalhou como seria a implementação prática da exclusão de beneficiários. O pré-candidato afirmou que apresentará um plano completo nos próximos meses, com métricas e prazos. 'Não é punição, é incentivo para que as pessoas busquem autonomia', concluiu.

Banner pós-artigo do Pickt — app de listas de compras colaborativas com ilustração familiar