Diante da intensa onda de calor que atinge a França, as plataformas de entrega por aplicativo Uber Eats e Deliveroo anunciaram nesta quarta-feira (8) a suspensão das entregas nos departamentos que entrarem em alerta vermelho, o nível mais alto de alerta meteorológico. A medida, adotada após reivindicações do setor e orientação do Ministério do Trabalho, visa proteger os entregadores que trabalham principalmente de bicicleta.
Detalhes da suspensão
A suspensão ocorrerá entre 14h e 18h, horário de pico do calor, mas apenas nos departamentos que eventualmente forem classificados com alerta vermelho pela Météo-France. Atualmente, nenhuma área do país está nessa classificação, mas 67 departamentos estão sob alerta laranja. O ministro do Trabalho, Jean-Pierre Farandou, declarou: "Esta decisão representa um passo importante, e peço aos restaurantes parceiros que demonstrem solidariedade, fornecendo a esses trabalhadores acesso a água e áreas com ar-condicionado."
Contexto da onda de calor
A Météo-France prevê "uma onda de calor severa e prolongada", que provavelmente durará "até o final do mês, ou além". Esta é a terceira onda de calor em menos de dois meses na França, após uma precoce no final de maio e outra no fim de junho. Esses fenômenos tornam trabalhos ao ar livre, como o dos entregadores, particularmente vulneráveis às altas temperaturas.
Reações dos sindicatos
A medida gerou controvérsia entre os sindicatos. Ludovic Rioux, da central sindical CGT, a maior da França, criticou a decisão, afirmando que ela "torna esses trabalhadores, já em situação precária, ainda mais vulneráveis" devido à falta de uma renda substituta. Em contrapartida, Fabian Tosolini, do sindicato Union-Indépendants, elogiou a suspensão, mas solicitou que as zonas de entrega e os pesos dos pedidos sejam reduzidos entre 12h e 14h, horário de pico das demandas.
No final de junho, a Prefeitura de Paris havia enviado uma carta às plataformas solicitando a implementação de um salário mínimo quando as condições climáticas exigirem redução ou suspensão das atividades. A medida atual, embora preventiva, representa uma resposta às pressões do setor e às condições climáticas extremas que afetam o país.



