A trajetória de Jair Bolsonaro na escolha de seus vices presidenciais foi marcada por reviravoltas. Em 2018, a definição ocorreu de última hora, com a escolha do general Hamilton Mourão. Quatro anos depois, em 2022, o ex-presidente antecipou a decisão, optando pelo também general Walter Braga Netto. Agora, seu filho, o senador Flávio Bolsonaro, enfrenta desafios similares para compor sua chapa ao Planalto em 2026.
A escolha relâmpago de 2018
Na campanha de 2018, Bolsonaro inicialmente cogitou a advogada Janaina Paschoal para a vice-presidência. No entanto, após uma série de negociações e pressões internas, o então candidato descartou o nome de Janaina e, nos últimos momentos permitidos pela legislação eleitoral, anunciou o general Hamilton Mourão como companheiro de chapa. A decisão surpreendeu analistas e apoiadores, mas consolidou a aliança com setores militares.
Segundo relatos de bastidores, a escolha de Mourão foi estratégica para atrair votos de eleitores mais conservadores e garantir o apoio das Forças Armadas. O general, na época, era vice-presidente do Clube Militar e tinha trânsito entre militares da ativa e da reserva.
A antecipação de 2022
Já em 2022, Bolsonaro não repetiu a pressa. Ainda em meados de 2021, o ex-presidente sinalizou que Braga Netto, então ministro da Defesa, seria seu vice. A escolha foi oficializada em junho de 2022, com ampla antecedência em relação ao prazo final. Braga Netto, general do Exército, era visto como um nome de confiança e com perfil técnico.
A decisão de antecipar a definição visava dar tempo para a chapa se consolidar e evitar turbulências de última hora. No entanto, a campanha enfrentou dificuldades, e a chapa Bolsonaro-Braga Netto foi derrotada nas urnas por Luiz Inácio Lula da Silva e Geraldo Alckmin.
O dilema de Flávio Bolsonaro para 2026
Agora, Flávio Bolsonaro, pré-candidato à Presidência, enfrenta um cenário complexo para definir seu vice. As negociações com partidos como União Brasil e Republicanos estão emperradas por escândalos de corrupção e disputas internas. O União Brasil, por exemplo, enfrenta investigações sobre desvios de recursos, enquanto o Republicanos busca consolidar alianças regionais.
“Flávio precisa de um vice que agregue votos e não traga problemas judiciais”, afirmou um analista político ouvido pela reportagem. A situação lembra a de 2018, quando Bolsonaro teve que trocar de vice às pressas. A diferença é que, agora, o prazo é mais curto e as alianças partidárias estão mais fragmentadas.
Especialistas apontam que a escolha do vice será crucial para as pretensões eleitorais de Flávio. Um nome com forte apelo regional ou setorial pode compensar a falta de tempo de televisão e a rejeição ao sobrenome Bolsonaro em algumas regiões.



