Suprema Corte amplia poder de Trump e dificulta oposição
Suprema Corte amplia poder de Trump e dificulta oposição

A Suprema Corte dos Estados Unidos, com sua maioria conservadora de 6 a 3, tornou-se uma parceira crucial do governo Trump 2.0, aumentando o poder do Executivo de forma inédita. Decisões recentes permitem demissões por razões políticas e ignoram a independência de agências federais, consolidando uma agenda conservadora que dificulta uma eventual reação liberal, mesmo que os democratas retomem o controle do Congresso em novembro.

Decisões que fortalecem o Executivo

Em uma série de julgamentos, a Corte autorizou o presidente a demitir chefes de agências independentes sem justa causa, como os da Comissão Federal de Comércio (FTC) e da Comissão de Valores Mobiliários (SEC). Além disso, limitou a capacidade de órgãos reguladores de interpretar leis, transferindo esse poder para o Judiciário, que tende a ser mais favorável ao governo.

“Essas decisões representam uma transformação profunda no equilíbrio de poderes”, afirmou o professor de direito constitucional da Universidade de Harvard, Michael Klarman, em entrevista ao jornal The New York Times. “O Executivo nunca teve tanta liberdade para agir sem supervisão.”

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Derrotas pontuais não freiam avanço

Apesar de algumas derrotas, como a manutenção da independência do Federal Reserve (Fed) e a rejeição de uma tentativa de eliminar o Departamento de Educação, a Casa Branca avançou a maior parte de sua agenda. Segundo dados do Centro Brennan para Justiça, 78% das decisões da Corte em casos envolvendo o governo Trump foram favoráveis ao Executivo, o maior índice desde a década de 1930.

Entre os avanços, destacam-se a permissão para a construção do muro na fronteira com o México sem aprovação do Congresso e a autorização para a deportação sumária de imigrantes sem audiência judicial. Essas medidas já impactam diretamente a vida de milhares de pessoas.

Impacto na democracia e governabilidade

Especialistas alertam que o fortalecimento do Executivo pode minar a democracia americana. “A independência das agências é uma salvaguarda contra abusos de poder. Ao eliminá-la, a Corte está criando as condições para um governo autoritário”, disse a ex-juíza federal Nancy Gertner, em artigo na revista The Atlantic.

Além disso, a dificuldade de reação legislativa é agravada pelo fato de que muitas dessas mudanças foram feitas por meio de interpretações constitucionais, que só podem ser revertidas por novas decisões da Corte ou por emendas constitucionais — processos lentos e politicamente custosos.

Perspectivas futuras

Com a possibilidade de os democratas retomarem o controle do Congresso nas eleições de novembro, a oposição terá poucas ferramentas para reverter as medidas. “Mesmo que aprovem leis para restaurar a independência das agências, a Corte pode declará-las inconstitucionais”, explicou Klarman.

Enquanto isso, a agenda conservadora de Trump avança em áreas como meio ambiente, com a flexibilização de regulações sobre emissões de carbono, e direitos civis, com restrições ao voto e ao aborto. A Suprema Corte, ao ampliar o poder do Executivo, tornou-se a principal aliada do presidente para implementar essas políticas sem oposição eficaz.

O cenário preocupa defensores da democracia, que veem na concentração de poder um risco para o sistema de freios e contrapesos. “Estamos testemunhando uma mudança estrutural que pode durar gerações”, concluiu Gertner.

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