PT abre mão de candidaturas próprias ao Senado em dez estados
PT desiste de candidaturas ao Senado em 10 estados

O Partido dos Trabalhadores (PT), legenda do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, decidiu abrir mão de lançar candidaturas próprias ao Senado Federal em dez estados brasileiros. A informação foi divulgada pela coluna de Lauro Jardim, do jornal O Globo. Com isso, o partido terá 19 candidatos ao Senado em 16 estados e no Distrito Federal.

Estratégia eleitoral do PT para o Senado

Segundo a coluna, a decisão faz parte de uma estratégia eleitoral do PT para ampliar alianças e fortalecer a base de apoio em estados onde o partido não tem força suficiente para eleger um senador próprio. Ao abdicar de candidaturas em dez estados, o PT busca consolidar acordos com partidos aliados, como PSB, PCdoB e PV, que integram a federação partidária liderada pelo PT. Essa federação já foi oficializada e deve nortear as coligações proporcionais e majoritárias.

A lista de estados onde o PT não terá candidatos próprios inclui localidades com tradição de disputas acirradas pelo Senado, como Roraima, Amapá e Tocantins. Em contrapartida, o partido manterá chapas em estados estratégicos, como São Paulo, Minas Gerais e Bahia, onde Lula obteve votação expressiva na eleição presidencial de 2022.

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Desistências e candidatos confirmados

Das 27 unidades da federação, o PT estará presente com candidatos próprios em 17 (16 estados mais o Distrito Federal). Isso representa uma redução em relação a eleições anteriores, quando o partido costumava lançar candidatos em praticamente todos os estados. A desistência em dez estados pode ser vista como um movimento para evitar dispersão de votos e garantir que os candidatos restantes tenham maior capilaridade e recursos de campanha.

Entre os candidatos confirmados, destacam-se nomes como o deputado federal Alexandre Padilha, que concorre em São Paulo, e a senadora Teresa Leitão, que disputa a reeleição em Pernambuco. No Distrito Federal, o PT deve apoiar a candidatura da deputada federal Erika Kokay, se ela for escolhida. A legenda também aposta em figuras conhecidas em seus redutos eleitorais, como o ex-governador da Bahia, Jaques Wagner, e o senador Paulo Rocha, no Pará.

Impacto na composição do Senado

O PT atualmente possui 9 senadores, mas com as eleições de 2022, o partido espera ampliar sua bancada para ao menos 12 cadeiras. A abertura de mão de candidaturas em dez estados pode ser um entrave para essa meta, mas a estratégia de alianças pode compensar com o apoio de candidatos de partidos coligados. Se eleitos, esses candidatos podem integrar a base aliada no Senado, mesmo não sendo filiados ao PT.

O cientista político Carlos Melo, do Insper, analisa que a decisão do PT é pragmática: "Em estados onde o partido tem baixa densidade eleitoral, é mais vantajoso apoiar um candidato de um aliado do que lançar uma candidatura própria que tem poucas chances de sucesso. Isso também libera recursos para concentrar esforços em estados mais promissores".

Reações e próximos passos

A decisão do PT gerou reações entre os partidos aliados. O PSB, por exemplo, comemorou a possibilidade de ampliar suas candidaturas em estados onde o PT não concorrerá. Já setores internos do PT criticaram a medida, argumentando que ela enfraquece a identidade partidária. A direção nacional do partido, no entanto, defende que a prioridade é eleger Lula em primeiro turno e fortalecer a base governista.

As convenções partidárias, que definirão oficialmente os candidatos, ocorrerão entre julho e agosto. Até lá, o PT ainda pode ajustar sua lista de candidatos ao Senado, dependendo dos acordos regionais. O partido também trabalha para consolidar as candidaturas à Câmara dos Deputados, onde pretende lançar candidatos em todos os estados e no Distrito Federal.

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