Um dos trabalhos mais longevos do futebol brasileiro nas Séries A, B e C chegou ao fim na última terça-feira. Ricardo Catalá não é mais técnico do São Bernardo depois de dois anos, três meses e 25 dias à frente do clube. A decisão foi tomada pela diretoria após oito jogos consecutivos sem vitória na Série B do Brasileirão, que deixaram a equipe na 12ª posição após 20 rodadas.
Fim de uma era no ABC paulista
Catalá havia assumido o São Bernardo em novembro de 2022 e conquistou o acesso à Série B no ano seguinte. Em 2025, o time se manteve na metade da tabela, mas a sequência negativa em 2026 selou sua saída. O técnico deixa o clube com um legado de estabilidade, algo raro no futebol brasileiro, onde a troca de treinadores é frequente. Segundo levantamento do Gato Mestre, apenas 13 dos 60 técnicos das três principais divisões do Brasileirão começaram seus trabalhos antes da temporada 2026.
Os 13 técnicos mais longevos do Brasil
Com a saída de Catalá, Abel Ferreira, do Palmeiras, e Rogério Ceni, do Bahia, mantêm-se como os treinadores mais duradouros. Abel está no clube desde novembro de 2020, enquanto Ceni chegou ao Bahia em setembro de 2023. Entre os 13, sete atuam na Série A, quatro na B e dois na C.
O terceiro colocado é Mazola Júnior, do Ituano, que iniciou em fevereiro de 2025. Na quarta posição está Leston Júnior, do Floresta-CE, desde março de 2025. Rafael Guanaes, do Mirassol, completa o top-5, com início em março de 2025. Guanaes teve uma temporada de destaque em 2025, levando o Mirassol ao quarto lugar na Série A e à classificação para a Libertadores. Em 2026, a equipe está na zona de rebaixamento, mas ensaia recuperação com duas vitórias nos últimos cinco jogos, além de avançar nas oitavas da Libertadores e da Copa do Brasil.
Técnicos que resistem à pressão na Série A
Odair Hellmann, do Athletico-PR, está na lista desde maio de 2025 e levou o clube ao acesso no ano passado. Atualmente, o Athletico ocupa a terceira colocação na Série A. Luis Zubeldía, do Fluminense, e Vagner Mancini, do Bragantino, também estão entre os longevos e posicionam seus times no G-5. Jair Ventura, do Vitória, apesar de ter eliminado o Flamengo na Copa do Brasil, luta contra o rebaixamento na Série A.
Na Série B, quatro treinadores se destacam
Eduardo Baptista, do líder Criciúma, Enderson Moreira, do Novorizontino, Hélio dos Anjos e Guilherme (comando conjunto no Náutico), e Eduardo Barros, do Cuiabá, são os representantes da Série B entre os mais longevos. O Criciúma colhe frutos da manutenção de Baptista, enquanto Novorizontino briga pelo G-6. Náutico e Cuiabá se mantêm fora do Z-4, mas ainda distantes do acesso.
Além desses 13, oito técnicos começaram seus trabalhos no início de 2026 (três na Série A, dois na B e três na C), mas enfrentam pressão, como Luis Castro, no Grêmio, e Paulo Pezzolano, no Internacional. Os outros 39 clubes das três divisões já trocaram de comando ao menos uma vez em 2026.
*Gato Mestre é formado pelos jornalistas Arthur Sandes, Davi Barros, Felipe Tavares, Guilherme Maniaudet, Gustavo Figueiredo, José Victor Meirinho, Leandro Silva, Lorrayne Vieira, Roberto Maleson, Rodrigo Breves e Valmir Storti, pelos cientistas de dados Bruno Benício e Vitor Patalano e pelo programador Gusthavo Macedo.



