O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva está preocupado com o possível efeito eleitoral negativo da nova fase do programa de combate ao roubo de celulares, que exige a devolução de aparelhos roubados por compradores. A iniciativa, coordenada pelo Ministério da Justiça, será lançada pelo presidente nesta terça-feira, em São Paulo, mas já gera apreensão nos bastidores do Palácio do Planalto.
Medida inspirada em modelo do Piauí
O programa, batizado de Celular Seguro, foi inspirado em uma experiência bem-sucedida no estado do Piauí. A nova fase prevê que compradores de celulares usados que adquirirem aparelhos roubados sejam obrigados a devolvê-los às autoridades, sem direito a reembolso. A medida visa desestimular o mercado ilegal de celulares, que alimenta os roubos nas ruas.
Segundo dados do Ministério da Justiça, o Brasil registrou cerca de 1 milhão de roubos de celulares em 2025, uma média de 2.740 por dia. O governo espera que a nova regra reduza esses números em até 30% nos primeiros 12 meses.
Preocupação com o impacto eleitoral
Nos bastidores, assessores do presidente Lula temem que a medida gere descontentamento popular, especialmente entre eleitores de baixa renda, que são os principais compradores de celulares usados. “A devolução de um aparelho comprado de boa-fé pode ser vista como uma injustiça, e isso pode se refletir nas urnas”, afirmou um assessor do Planalto, sob condição de anonimato.
O lançamento do programa ocorre em um momento de queda na popularidade do governo, com pesquisas recentes indicando que a segurança pública é uma das principais preocupações do eleitorado. O governo Lula espera que a iniciativa ajude a reverter essa percepção, mas o risco de efeito contrário preocupa.
Críticas e desafios de implementação
Especialistas em segurança pública apontam possíveis problemas na implementação da medida. “A falta de um cadastro nacional unificado de IMEIs e a dificuldade de fiscalizar o comércio informal podem gerar erros na identificação de aparelhos roubados”, disse o pesquisador João Pedro Silva, do Fórum Brasileiro de Segurança Pública. “Sem um sistema eficiente, a medida pode penalizar consumidores inocentes.”
O Ministério da Justiça afirma que está desenvolvendo um aplicativo e parcerias com operadoras para facilitar a verificação dos aparelhos. A pasta também promete campanhas de conscientização para evitar que compradores sejam pegos de surpresa.
Impacto esperado na redução de crimes
Apesar das críticas, o governo defende que a medida é essencial para reduzir a violência urbana. “O roubo de celulares é a porta de entrada para outros crimes, como assaltos a mão armada e até homicídios”, afirmou o ministro da Justiça, Flávio Dino, em entrevista recente. “Com a devolução obrigatória, cortamos o fluxo financeiro que alimenta essas quadrilhas.”
Dados do estado do Piauí, onde modelo similar foi adotado em 2024, mostram uma redução de 40% nos roubos de celulares em seis meses. O governo federal espera replicar esse sucesso em nível nacional.



