A montadora chinesa GAC, a empresa de infraestrutura GreenV e a plataforma de mobilidade 99 anunciaram nesta terça-feira (23) uma parceria para instalar 242 pontos de recarga rápida para veículos elétricos no Brasil até 2030. Os carregadores serão distribuídos entre concessionárias da marca e hubs localizados em São Paulo, Rio de Janeiro e Brasília. O objetivo é ampliar a infraestrutura de abastecimento elétrico em um momento de forte crescimento da frota eletrificada no País.
Divisão de responsabilidades e prazos
Na divisão de responsabilidades, a GAC ficará encarregada do fornecimento dos equipamentos, a GreenV será responsável pelos investimentos e pela operação da plataforma tecnológica, e a 99 oferecerá condições diferenciadas para que motoristas cadastrados utilizem os pontos de recarga participantes. Cada concessionária da GAC deverá ter pelo menos um carregador rápido de 60 kW ou 120 kW. A montadora tinha 52 unidades em operação em maio de 2026 e planeja encerrar o ano com 100 lojas no país.
Primeira ação conjunta desde a Aliança pela Mobilidade Sustentável
A iniciativa marca a primeira ação conjunta entre GAC e 99 desde a entrada da fabricante na Aliança pela Mobilidade Sustentável, coalizão formada por 31 empresas que atuam na eletrificação da mobilidade no Brasil.
Infraestrutura ainda não acompanha crescimento da frota
O anúncio ocorre em um momento em que a rede de recarga segue defasada em relação à frota. Dados da ABVE mostram que o Brasil alcançou 21.061 pontos públicos e semipúblicos em fevereiro de 2026, ante 14.827 registrados em fevereiro de 2025. Com 721.803 veículos eletrificados em circulação, a média atual é de 34,27 veículos por carregador disponível. Mercados como Estados Unidos e Europa operam com cerca de 12 veículos por ponto, segundo Pedro Schaan, diretor da ABVE e CEO da Zletric.
São Paulo e DF concentram piores proporções
São Paulo tem a maior frota eletrificada do país, com 222.779 veículos, e também a maior rede, com 5.876 pontos públicos, mas ainda assim registra 37,9 veículos por carregador. O Distrito Federal tem o pior índice nacional: 60 mil veículos eletrificados para apenas 821 eletropostos, proporção de 73,5 veículos por equipamento. A instalação de novos carregadores depende de capacidade da rede elétrica local, obras de adequação, licenciamento e capital. A localização também é determinante: eletropostos públicos tendem a se concentrar em shoppings, estacionamentos e estabelecimentos de grande circulação, onde a taxa de uso justifica o investimento.
Estimativas para o futuro
Estimativas da Zletric indicam que o Brasil precisaria de entre 50 mil e 60 mil eletropostos para atingir proporção semelhante à dos mercados americano e europeu. Para 2030, a projeção é de uma rede próxima de 180 mil carregadores públicos.



