O PP e o União Brasil devem adotar uma postura de neutralidade na corrida presidencial de 2026, segundo apuração do Valor. As duas siglas, que integram o centrão, avaliam que não apoiar nem o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nem o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) é a estratégia mais vantajosa para fortalecer suas candidaturas estaduais e ampliar bancadas no Congresso.
Decisão estratégica do centrão
Lideranças do PP e do União Brasil argumentam que a neutralidade permite maior liberdade para negociar alianças nos estados, sem o desgaste de vincular-se a uma candidatura presidencial polarizada. A decisão foi discutida em reuniões internas nos últimos dias, com a participação de presidentes estaduais e deputados federais.
Segundo um dirigente do PP, a neutralidade é a melhor forma de garantir que os partidos cresçam em todo o país, sem ficar reféns de uma disputa nacional. A avaliação é que Lula e Bolsonaro têm rejeição elevada em algumas regiões, o que poderia prejudicar candidatos locais.
Impacto nas eleições estaduais
Com a neutralidade, PP e União Brasil esperam lançar candidatos próprios ao governo em pelo menos 15 estados cada. A estratégia já foi testada em 2022, quando o União Brasil ficou neutro no segundo turno presidencial e elegeu 12 governadores. O PP, por sua vez, elegeu 8 governadores naquele ano.
Um deputado do União Brasil afirmou que a neutralidade dá ao partido a chance de dialogar com todas as correntes políticas, sem comprometer a identidade partidária. A expectativa é que a decisão seja formalizada em convenções partidárias até o final do ano.
Reações dos presidenciáveis
Nos bastidores, a campanha de Lula já sinalizou que tentará atrair o apoio do centrão, enquanto Bolsonaro conta com o PL para manter a base conservadora. Analistas políticos apontam que a neutralidade do PP e do União Brasil pode favorecer um terceiro nome, mas nenhum partido do centrão demonstrou interesse em lançar candidato próprio à Presidência.



