PF pede ao STF nova investigação sobre Lulinha por acesso a gabinete presidencial
PF pede ao STF nova investigação de Lulinha por acesso a gabinete

A Polícia Federal (PF) encaminhou ao Supremo Tribunal Federal (STF) um pedido de abertura de nova investigação contra Fábio Luis Lula da Silva, conhecido como Lulinha, filho do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O requerimento, protocolado na última quarta-feira (30), aponta suposto acesso indevido de Lulinha ao gabinete presidencial durante o atual governo, o que pode configurar tráfico de influência e violação de sigilo funcional.

Contexto da investigação

Segundo informações obtidas pelo Globo, a PF baseia seu pedido em gravações e registros de entrada que indicam que Lulinha teria visitado o Palácio do Planalto em pelo menos cinco ocasiões nos últimos seis meses, sem registro oficial em agenda pública. As visitas, segundo a corporação, coincidem com reuniões em que foram discutidos contratos de empresas ligadas a familiares do presidente Lula com órgãos federais.

O documento encaminhado ao relator do caso no STF, ministro Alexandre de Moraes, destaca que as evidências sugerem que Lulinha não apenas acessou áreas restritas, mas também manteve contato com assessores da presidência sem a devida autorização formal. “Há indícios robustos de que o investigado utilizou sua condição de filho do presidente para obter vantagens indevidas”, afirma trecho do parecer da PF.

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Reações oficiais

A defesa de Lulinha negou as acusações, classificando o pedido como “mais um capítulo da perseguição política contra a família Lula”. Em nota, os advogados afirmaram que “não há qualquer irregularidade nas visitas, que foram de caráter familiar e devidamente autorizadas pela segurança da Presidência”. O Palácio do Planalto, por sua vez, informou que não comentará investigações em andamento.

Especialistas ouvidos pelo Globo destacam que, se comprovado, o acesso de um civil sem cargo oficial a áreas sensíveis do Planalto pode violar normas de segurança e sigilo. “A presença de alguém sem vínculo formal em reuniões de trabalho é, no mínimo, preocupante do ponto de vista da lisura administrativa”, avaliou o cientista político Carlos Melo, da USP.

Impacto jurídico e político

O pedido da PF ocorre em meio à tramitação de outros inquéritos envolvendo familiares de Lula. Em 2024, Lulinha já foi alvo de investigação por supostas irregularidades em contratos de uma empresa de eventos, arquivada por falta de provas. Agora, a nova apuração pode reabrir o escrutínio sobre as relações entre o governo e o círculo familiar do presidente.

Dados apresentados pela PF indicam que, entre janeiro e julho de 2026, houve um aumento de 40% no número de visitas de parentes de autoridades a gabinetes presidenciais, comparado ao mesmo período de 2025, o que levanta questionamentos sobre os protocolos de controle de acesso.

Próximos passos

Caberá ao ministro Alexandre de Moraes decidir se autoriza a abertura da investigação. Caso aceite, a PF poderá realizar buscas, oitiva de testemunhas e análise de documentos. A defesa de Lulinha já anunciou que recorrerá de qualquer decisão desfavorável. O caso promete alimentar o debate político no Congresso e nas redes sociais, a menos de três meses das eleições gerais de outubro.

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