Lucro da Vale despenca 35% no 2º tri, para US$ 1,37 bilhão
Lucro da Vale cai 35% no 2º tri, para US$ 1,37 bi

Queda expressiva nos resultados

A Vale divulgou nesta quinta-feira (30) um lucro líquido de US$ 1,37 bilhão para o segundo trimestre de 2026, uma redução de 35% em comparação com os US$ 2,11 bilhões registrados no mesmo período do ano anterior. O resultado veio abaixo das expectativas do mercado, que projetava lucro em torno de US$ 1,6 bilhão, segundo consenso da Bloomberg.

Impacto dos preços do minério de ferro

A principal razão para o recuo foi a desvalorização do minério de ferro no mercado internacional. A commodity, que responde por cerca de 70% da receita da mineradora, apresentou queda média de 22% no trimestre, cotada a US$ 98 por tonelada, contra US$ 126 no mesmo período de 2025. A desaceleração da economia chinesa, principal consumidora do minério, pressionou os preços, agravada pelo aumento da oferta global.

Custos e despesas em alta

Os custos operacionais também pressionaram as margens. O C1 cash cost (custo de produção por tonelada) subiu para US$ 24,50, ante US$ 21,80 um ano antes, devido à inflação de insumos e maiores gastos com manutenção de equipamentos. As despesas administrativas aumentaram 8%, para US$ 1,2 bilhão. Segundo a empresa, parte do aumento se deve a investimentos em tecnologia e descarbonização.

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Produção e vendas

A produção de minério de ferro atingiu 78 milhões de toneladas no trimestre, estável em relação ao ano passado. As vendas, porém, caíram 5%, para 72 milhões de toneladas, reflexo da menor demanda chinesa. O presidente da Vale, Gustavo Pimenta, afirmou que a empresa está focada em eficiência: "Estamos ajustando nossa operação para um cenário de preços mais baixos, mantendo a disciplina de capital e a segurança operacional".

Endividamento e investimentos

A dívida líquida da Vale encerrou o trimestre em US$ 14,5 bilhões, contra US$ 13,8 bilhões em junho de 2025, leve alta devido a investimentos. A empresa destinou US$ 1,8 bilhão a projetos de expansão e sustentabilidade, incluindo a ferrovia Carajás e a planta de briquetes de baixo carbono. O fluxo de caixa livre foi de US$ 1,1 bilhão, suficiente para cobrir dividendos, mas 30% menor que o do ano anterior.

Reação do mercado

As ações da Vale fecharam o dia em queda de 2,3% na B3, cotadas a R$ 58,40. Analistas do BTG Pactual destacaram que os resultados "refletem um trimestre desafiador para o setor de mineração", mas mantiveram recomendação de compra, citando a resiliência operacional da companhia. O lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) ajustado caiu 30%, para US$ 3,8 bilhões, com margem de 36%.

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