Jornalista Joyce Ribeiro lança livro-reportagem que narra a vivência de garotas que são mães ainda na adolescência. Essa realidade tem reflexos, inclusive, na economia do País.
Relatos de meninas-mães
“Ela tinha 11 anos, estava em trabalho de parto e gritava pela mãe”, a frase está contida no livro-reportagem Nem Cresci e Já Sou Mãe, da jornalista Joyce Ribeiro. A obra, lançada na última semana, reúne narrativas de mulheres, ou melhor, meninas que, mesmo sem preparo emocional, físico e, por vezes, financeiro, reforçam uma estatística alarmante no Brasil: a de mães adolescentes.
Mas não só isso. Além dos relatos diversos e, ao mesmo tempo, tão semelhantes, a obra ainda combina depoimentos de profissionais da saúde e uma pesquisa, realizada com o apoio da ONG Plan International, que revela o real impacto dessas gestações não só na vida das jovens mães, como também na economia do País.
Dados alarmantes
Por hora, o Brasil assiste ao nascimento de 48 bebês de mães adolescentes. De acordo com dados coletados pela autora, seis em cada dez meninas grávidas não estudam ou trabalham. A evasão escolar, inclusive, é uma das principais sequelas da gestação nessa idade. O Banco Mundial chegou a estimar que a produtividade brasileira poderia aumentar em US$ 3,5 bilhões por ano caso a maternidade das adolescentes fosse adiada para a maioridade.
“Quando a gravidez acontece, a luta pela independência e autonomia encontra dificuldades muitas vezes irreversíveis para meninas que se tornam mães muito jovens. Elas acumulam traumas, agressões, violências e desilusões, e isso aumenta os obstáculos para a construção de um futuro diferente”, contou Joyce.
Chamado à ação
Ao lançar o livro, a jornalista reacende a discussão sobre as falhas do Estado e a atuação das famílias, escolas e profissionais da saúde a fim de tentar solucionar esta que é uma questão coletiva. “Saí desse processo com um olhar mais cuidadoso e atento para as meninas ao meu redor e para meninas que nem conheço. Me trouxe também um senso de urgência. Nós, adultos, precisamos trabalhar de forma mais ativa e permanente pela proteção das crianças e adolescentes.”
Entretanto, a obra chega às livrarias dias após o Senado Federal ter aprovado o PDL 3/2025. O projeto susta a norma que facilitava às crianças e adolescentes vítimas de violência sexual o acesso ao aborto legal no Brasil.



