O senador Sérgio Moro (União Brasil-PR) encaminhou nos últimos dias um movimento para obter o apoio formal do Podemos à sua pré-candidatura à Presidência da República em 2026. A articulação ocorre mesmo diante de um cenário de ressentimentos deixados por sua saída do partido em 2023, quando trocou a legenda pelo União Brasil.
Articulação política e reações internas
Segundo fontes ouvidas pelo blog, Moro conversou diretamente com a presidente nacional do Podemos, deputada federal Renata Abreu (SP), e com outros dirigentes da sigla. A ideia é que o Podemos integre uma coligação em torno do nome do ex-juiz, que hoje busca ampliar o leque de apoios para viabilizar sua candidatura.
Internamente, porém, a movimentação gera desconforto. A saída de Moro do Podemos em 2023 foi marcada por críticas públicas e acusações mútuas. Na ocasião, o senador afirmou que o partido não oferecia as condições necessárias para sua pré-campanha, enquanto dirigentes reclamaram da falta de lealdade.
Ressentimentos e possíveis alianças
“Há mágoas, sim. Mas a política é feita de acordos e, se for para fortalecer o projeto, podemos superar”, disse um dirigente do Podemos sob condição de anonimato. A legenda, que hoje conta com três senadores e oito deputados federais, pode ser decisiva para o tempo de TV e a estrutura de campanha de Moro.
O movimento ocorre em meio a negociações mais amplas do campo da direita. Moro também busca aproximação com partidos como o PP e o Republicanos, além de tentar consolidar o apoio do União Brasil, sua atual legenda. A expectativa é que a definição sobre alianças ocorra até o final do primeiro semestre de 2026.
Impacto na corrida eleitoral
Pesquisas internas do Podemos indicam que Moro mantém cerca de 8% das intenções de voto no cenário nacional, mas com potencial de crescimento caso consiga unificar a direita. O apoio do Podemos poderia agregar até 2 pontos percentuais, segundo analistas.
Procurada, a assessoria de Moro não comentou as negociações. Já Renata Abreu afirmou, em nota, que “o Podemos está aberto ao diálogo com todos os pré-candidatos que defendam os valores do partido”, sem confirmar o apoio.



