Em meio ao embate entre Michelle Bolsonaro (PL) e seu enteado Flávio Bolsonaro (PL-RJ), mais brasileiros apoiam a ex-primeira-dama que o senador, aponta pesquisa Genial/Quaest divulgada nesta quinta-feira, 15. A maioria dos entrevistados também avalia que o senador Jaques Wagner (PT-BA) agiu de forma errada segundo o que se sabe nas investigações do caso Master. Porém, na prática, o impacto desses temas nas intenções de voto a presidente esbarra no conhecimento limitado sobre os episódios. A maioria dos entrevistados relatou não saber dos vídeos de Michelle contra Flávio. Da mesma forma, a maior parte deles desconhecia a operação da Polícia Federal contra o aliado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Detalhes da pesquisa Genial/Quaest
A pesquisa Genial/Quaest fez 2.004 entrevistas em domicílios entre os dias 10 e 13 de julho. A margem de erro é de dois pontos porcentuais, e o índice de confiança é de 95%. O levantamento está registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o código BR-07181/2026.
No final de junho, Michelle publicou um vídeo em suas redes sociais dizendo que o enteado a “maltratou” em um telefonema após ela se posicionar contra uma aliança da família Bolsonaro com Ciro Gomes (PSDB) na disputa eleitoral do Ceará. Em resposta, Flávio Bolsonaro publicou uma nota dizendo que “nunca” havia desrespeitado Michelle.
Conhecimento e opinião sobre o vídeo de Michelle
Segundo a Genial/Quaest, 51% dos entrevistados desconheciam o vídeo de Michelle Bolsonaro com críticas a Flávio Bolsonaro. Para 45%, Michelle acertou nas críticas ao enteado. Para 38%, a ex-primeira-dama errou, enquanto 17% não souberam responder. As perguntas do questionário são realizadas a todos os entrevistados e não dependem do conhecimento sobre o episódio. Para 31% dos entrevistados, as declarações de Michelle sobre Flávio são “totalmente verdadeiras”. Para 27%, são “parcialmente verdadeiras”. Outros 16% acham que as afirmações são “totalmente falsas”, e 26% não souberam responder.
Para 34%, a motivação principal de Michelle para publicar os vídeos foi o desejo de ser candidata a presidente no lugar de Flávio Bolsonaro. Outros 16% acham que ela pretendeu responder a ataques e desrespeitos, e 25% avaliaram que ela quis se opor a acordos políticos com os quais ela não concorda. Para 4%, houve “um pouco de todas essas coisas” na decisão, enquanto 2% apontaram outras motivações e 19% não responderam.
Caso Jaques Wagner e o envolvimento no caso Master
Sobre o suposto envolvimento de Jaques Wagner no caso Master, 54% desconheciam a operação da Polícia Federal contra o aliado de Lula. O parlamentar deixou a liderança do governo no Senado após o episódio.
Para 61%, pelo que se sabe, o senador “agiu de forma errada”, enquanto 31% acreditam que “não houve nada de errado” na conduta do petista e 28% não responderam. A maioria dos entrevistados avalia que o suposto envolvimento de Wagner no caso Master não é uma questão pessoal do senador, mas um assunto institucional do governo Lula.
Para 43%, a investigação contra o senador diz respeito à gestão federal, enquanto 35% acham que se trata de um assunto privado ao petista. Outros 22% não responderam.
Atingido pela nona fase da Compliance Zero, Wagner é acusado de receber propina do Banco Master ao ganhar um apartamento avaliado em R$ 2,5 milhões, em Salvador, do empresário Augusto Lima, ex-sócio de Daniel Vorcaro no Master. Em reunião com Lula, senador garantiu que nunca atuou no Congresso para defender os interesses da instituição e disse que se sentia “injustiçado”.



