O presidente Luiz Inácio Lula da Silva lançou nesta segunda-feira, 29 de junho de 2026, o Desenrola Adimplentes, uma nova política de crédito voltada a consumidores que mantêm as contas em dia. O evento ocorreu no Palácio do Planalto, com a presença do ministro da Fazenda, Dario Durigan. A iniciativa oferece melhores condições de crédito para quem pagou em dia pelo menos quatro parcelas de uma dívida de até R$ 15 mil, com o objetivo de evitar que bons pagadores se tornem inadimplentes.
Detalhes do programa
O Desenrola Adimplentes é uma versão ampliada do programa Desenrola Brasil, originalmente focado na renegociação de dívidas. Agora, a proposta é conceder linhas de crédito mais baratas para consumidores que demonstram histórico de pagamento pontual. Segundo o governo, a medida visa aliviar o custo do crédito e estimular o consumo, sem aumentar o risco de inadimplência.
O programa prevê que os bancos ofereçam taxas de juros reduzidas e prazos mais longos para esse público. No entanto, a Federação Brasileira de Bancos (Febraban) já sinalizou que não apoiará institucionalmente o Desenrola Adimplentes. Em nota, a entidade afirmou que vê "baixo potencial de adesão dos bancos", uma vez que as condições impostas pelo governo podem não ser atrativas para as instituições financeiras.
Reação do setor bancário
A posição da Febraban representa um revés para o governo, que esperava contar com o engajamento do setor para ampliar o acesso ao crédito. Segundo fontes do mercado, os bancos avaliam que o público-alvo do programa já possui acesso a linhas de crédito com condições favoráveis, o que reduz o impacto da nova medida. "O desafio é que os bons pagadores já são bem atendidos pelo mercado. O programa pode não gerar o volume esperado de novas operações", declarou um executivo do setor sob condição de anonimato.
O ministro da Fazenda, Dario Durigan, rebateu as críticas e destacou que o governo está aberto a negociações. "O Desenrola Adimplentes é uma ferramenta importante para evitar que o custo do crédito empurre bons pagadores para a inadimplência. Vamos dialogar com os bancos para ajustar os termos e garantir a adesão", afirmou Durigan durante o evento.
Impacto econômico esperado
O governo estima que o programa pode beneficiar até 10 milhões de consumidores que mantêm dívidas de até R$ 15 mil e pagam as parcelas em dia. Dados do Banco Central mostram que a inadimplência das famílias está em 4,5%, e a intenção é evitar que esse número cresça. No entanto, analistas apontam que o sucesso do Desenrola Adimplentes dependerá da disposição dos bancos em aderir às condições propostas.
O presidente Lula, em seu discurso, reforçou a importância de políticas de crédito responsável. "Não podemos deixar que o brasileiro que paga suas contas em dia seja sufocado por juros altos. Este programa é um passo para um sistema financeiro mais justo", disse Lula. Apesar do lançamento, a implementação efetiva do programa ainda depende de regulamentação e da adesão voluntária das instituições financeiras.



