Lula intensifica ações para se aproximar de eleitores evangélicos
Lula amplia ações para atrair eleitorado evangélico

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva intensificou nos últimos meses uma série de ações para se aproximar do eleitorado evangélico, segmento que tradicionalmente votou em adversários nas últimas eleições. A estratégia inclui desde a criação de um programa social voltado para comunidades religiosas até a nomeação de pastores para cargos estratégicos no governo federal.

Programa social e nomeações

Uma das principais iniciativas é o lançamento do 'Brasil pela Fé', programa que prevê investimentos de R$ 2,5 bilhões em ações de assistência social, educação e saúde em parceria com igrejas evangélicas. O anúncio foi feito em um evento no Palácio do Planalto com a presença de líderes religiosos de diversas denominações.

Além disso, Lula nomeou o pastor Silas Malafaia como assessor especial da Secretaria de Relações Institucionais, cargo que não existia antes. Malafaia, que foi crítico ferrenho do PT, agora defende a aproximação com o governo. 'O presidente tem demonstrado abertura para dialogar com as igrejas e atender demandas históricas da nossa comunidade', afirmou o pastor durante a posse.

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Pesquisas e contexto eleitoral

Segundo pesquisa Datafolha divulgada em junho, apenas 32% dos evangélicos aprovam o governo Lula, contra 58% entre os católicos. O dado acendeu um alerta no Palácio do Planalto, que vê nesse segmento um eleitorado crucial para as eleições de 2026. Em 2022, Lula obteve cerca de 40% dos votos dos evangélicos no segundo turno, segundo o instituto Ipec.

Para reverter esse cenário, o governo também criou a Secretaria Nacional de Assuntos Religiosos, vinculada ao Ministério da Cidadania, e nomeou o pastor evangélico Marcos Pereira como titular. A pasta será responsável por coordenar políticas públicas voltadas para comunidades religiosas.

Reações e críticas

A iniciativa gerou reações mistas. Enquanto líderes evangélicos próximos ao governo elogiam a abertura, setores mais conservadores criticam o que chamam de 'uso político da fé'. O deputado federal Marco Feliciano (PL-SP) afirmou que 'o governo tenta comprar o apoio das igrejas com medidas assistencialistas, mas não muda sua agenda progressista'.

Por outro lado, o presidente da Convenção Geral das Assembleias de Deus no Brasil, pastor José Wellington Bezerra, declarou apoio ao programa: 'É uma oportunidade de trabalharmos juntos pelo bem social, sem partidarismo'.

Próximos passos

O governo planeja lançar nos próximos meses uma série de editais para que igrejas possam concorrer a recursos do 'Brasil pela Fé'. Além disso, Lula deve participar de eventos religiosos em estados com grande população evangélica, como Rio de Janeiro e São Paulo. A expectativa é que a aproximação gere frutos eleitorais já em 2026.

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