Em meio ao acirramento do debate político brasileiro, leitores do Estadão manifestaram-se sobre temas que vão da necessidade de união nacional aos impactos do tarifaço do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. As cartas selecionadas para o Fórum dos Leitores do portal estadao.com.br trazem críticas à propaganda eleitoral oficial, à escolha de candidatos a vice-presidente e à postura de líderes internacionais.
União versus divisão: o civismo como antídoto
Mauricio Linn Bianchi, de São Paulo, argumenta que a proximidade com o poder ao longo de décadas gerou baixa produtividade, menos jovens empreendedores e contaminação dos Poderes. “O Brasil precisa de união, não de mais divisão”, escreve. Ele questiona se um candidato que percebe que sua permanência na disputa favorece apenas o adversário não deveria apoiar outro nome com melhores condições de construir essa união. “A grandeza de um líder também se mede pela capacidade de colocar o interesse do Brasil acima de projetos pessoais”, completa.
Norberto Augusto da Costa, de Valinhos, elogia o artigo “Sapo ou cidadão?”, do cientista político Luiz Felipe D’Avila, e afirma que as quatro recomendações do autor mostram como “é fácil votar certo e transformar o nosso Brasil em uma potência”. Já Roberto Gomes, de São Paulo, parabeniza o Estadão e Nicolau da Rocha Cavalcanti pelo texto “Sentar juntos”, que promove reflexão e diálogo como pilares da convivência democrática.
Propaganda eleitoral oficial sob críticas
Willian Martins, de Guararema, critica a propaganda eleitoral oficial, afirmando que a legislação sofreu tantas modificações que o detentor do mandato sempre larga em vantagem. “O padrão milionário verificado na Presidência da República repete-se nos Estados, sobretudo onde governadores buscam a reeleição”, alerta. Ele denuncia o uso indevido do dinheiro do contribuinte chancelado por uma legalidade puramente formal.
John Fitzpatrick, de São Paulo, relata ter ficado chocado ao ver gigantescos painéis publicitários nos prédios dos ministérios em Brasília exaltando conquistas do governo Lula. “Senti que estava em Pyongyang, a capital da Coreia do Norte”, compara.
Clima e prevenção de catástrofes
Jane Araújo, de Brasília, defende que governos do mundo todo devem estabelecer projetos de previsão e cuidados para reduzir os efeitos das mudanças climáticas. “A prevenção e o fortalecimento de estruturas de apoio e diminuição dos danos diante de catástrofes são altamente recomendados”, afirma, destacando a necessidade de campanhas educativas.
Brasil Soberano e o tarifaço de Trump
Guilherme M. Stipp, de Curitiba, critica a resposta do governo ao tarifaço de Trump. “A concentração de vendas em um país específico é um risco privado, não público”, escreve. Ele questiona os estudos baseados em microdados que justificariam as linhas de crédito subsidiadas do BNDES no âmbito do Plano Brasil Soberano. “A sociedade pagará porque alguns setores calcularam mal o risco e agora pressionam o governo para socializar suas perdas.”
Izabel Avallone, de São Paulo, rebate o foco em ameaças externas. “A verdadeira perda de soberania ocorre quando facções criminosas controlam territórios, impõem suas próprias regras e desafiam o Estado”, afirma, pedindo um Estado capaz de combater o crime organizado e a corrupção.
Relações Brasil-Argentina e estilos de liderança
Willian Martins, novamente de Guararema, analisa as ofensivas retóricas do presidente argentino Javier Milei contra o Brasil. Ele avalia que, embora a interdependência econômica amorteça impactos, “desconsiderar a assimetria econômica e o poder de pressão de Brasília sobre Buenos Aires é um erro estratégico”. Paulo Sergio Arisi, de Porto Alegre, classifica Trump e Milei como “a dupla de mandatários mais antipáticos e mal-educados da história” dos EUA e da Argentina.
Armando Bergo Neto, de Campinas, provoca: “O que aconteceria se o presidente de um país fosse aos Estados Unidos e xingasse o presidente norte-americano e um ministro da Suprema Corte?”
Escolha do vice: atenção redobrada
Dirceu Cardoso Gonçalves, de São Paulo, alerta que a escolha do candidato a vice-presidente recebe menos atenção do que merece. Ele cita exemplos históricos: Itamar Franco substituiu Fernando Collor, Michel Temer assumiu no lugar de Dilma Rousseff e João Goulart chegou à Presidência após a renúncia de Jânio Quadros. “Ao votar, o eleitor não escolhe apenas o titular. Também concede ao vice a possibilidade real de assumir o poder”, conclui.
Responsabilidade do eleitor e críticas ao sistema
Alexandre de Oliveira, de São Paulo, endossa o artigo de Luiz Felipe D’Avila e afirma que cabe aos cidadãos mudar o rumo do país. Já Mário Barilá Filho, de São Paulo, critica o processo eleitoral: “Os partidos escolhem quem bem entenderem. Pessoas sem qualquer qualificação formal, analfabetos, ex-presidiários – vale qualquer coisa”. Marcos Lefevre, de Curitiba, questiona a relutância em usar o termo “extrema esquerda”, citando ações do PSOL contra parcerias educacionais bem-sucedidas.
Neymar e o ocaso de uma carreira
Maurílio Polizello Junior, de Ribeirão Preto, comenta a declaração de Neymar de que “deu a vida e o sangue” pela seleção e descarta volta. “Sábia decisão”, escreve, atribuindo o declínio à idade, lesões e pouco empenho na forma física. Sugere que o jogador abandone também o futebol no Santos.



