Um estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) divulgado nesta quarta-feira aponta que a falta de gestores qualificados na área de infraestrutura pública pode comprometer investimentos da ordem de R$ 200 bilhões nos próximos quatro anos. O levantamento, intitulado "Gestão de Infraestrutura: Desafios e Perspectivas", avalia que apenas 30% dos projetos financiados com recursos federais contam com equipes técnicas adequadas.
Projetos parados por falta de especialistas
Segundo o coordenador da pesquisa, economista Carlos Alberto de Oliveira, a carência de profissionais com formação específica em gestão de infraestrutura é um dos principais gargalos para a execução de obras prioritárias. "Temos muitos projetos aprovados e recursos disponíveis, mas sem gestores capacitados para tocar as obras, o dinheiro fica parado ou é mal aplicado", afirmou Oliveira.
O estudo analisou 1.200 empreendimentos entre rodovias, ferrovias, portos e aeroportos nos últimos cinco anos. Constatou-se que atrasos médios de 18 meses ocorrem em 60% dos casos, sendo que em 40% desses atrasos a causa principal é a má gestão.
Impacto no crescimento econômico
A infraestrutura deficiente já custa ao Brasil cerca de 1,5% do PIB ao ano, segundo cálculos do Banco Mundial. Com a perspectiva de novos investimentos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), a demanda por gestores deve aumentar em 25% até 2028. "Sem um choque de gestão, corremos o risco de repetir erros do passado", alerta a pesquisadora Maria Silva, do Ipea.
O levantamento sugere a criação de uma carreira nacional de gestores de infraestrutura, com capacitação obrigatória e certificação periódica. Atualmente, apenas 12 estados brasileiros possuem estruturas formais de gestão de projetos.
Exemplos de sucesso e desafios regionais
Estados como São Paulo e Minas Gerais, que investiram em escolas de governo e parcerias com universidades, apresentam índices de conclusão de obras 40% superiores à média nacional. Por outro lado, regiões Norte e Nordeste concentram 70% dos projetos com atrasos críticos.
"Precisamos de uma força-tarefa para qualificar gestores em todo o país. Não adianta apenas liberar verba; é preciso saber gastar bem", defende o ministro da Infraestrutura (fictício) João Pedro Costa, em nota.
O Ipea recomenda ainda a utilização de ferramentas modernas de planejamento, como BIM (Modelagem da Informação da Construção) e sistemas de monitoramento em tempo real. A capacitação de 10 mil gestores nos próximos dois anos é apontada como meta mínima para evitar o desperdício de recursos.



