Os ex-ministros Márcio França e Rui Costa, que deixaram o governo Lula para concorrer nas eleições, estão recebendo salários em um regime de 'quarentena remunerada' enquanto fazem campanha. A medida, aprovada por uma comissão ligada à Presidência, tem como objetivo evitar conflitos de interesse, já que ambos planejam trabalhar no setor privado após o período eleitoral.
Prática recorrente desde Bolsonaro
Esse procedimento não é inédito. Ao menos desde o governo de Jair Bolsonaro, ministros e secretários também fizeram campanhas enquanto recebiam os contracheques. A quarentena remunerada busca impedir que ex-integrantes do Executivo usem informações privilegiadas para benefício próprio, garantindo uma transição ética para o setor privado.
No caso de França e Costa, eles se enquadram nas regras da Comissão de Ética Pública da Presidência, que autoriza o pagamento durante o período de afastamento. A medida gera debate sobre a utilização de recursos públicos em atividades político-eleitorais.
Impacto e críticas
Especialistas apontam que a prática, embora legal, levanta questionamentos sobre a moralidade de receber salário público enquanto se faz campanha. Por outro lado, defensores argumentam que a quarentena é necessária para evitar que ex-ocupantes de cargos de alto escalão usem informações sigilosas em benefício de futuros empregadores.
Até o momento, nem França nem Costa se pronunciaram oficialmente sobre o assunto. A situação deve continuar sendo monitorada pela comissão de ética até o fim do período eleitoral.



