EUA ampliam isenção de tarifa de 25% sobre produtos do Brasil; mercados reagem
EUA ampliam isenção de tarifa de 25% sobre produtos do Brasil

Os Estados Unidos anunciaram nesta quinta-feira (16) a imposição de uma tarifa de 25% sobre produtos do Brasil, com vigência a partir de 22 de julho, conforme comunicado do Escritório do Representante de Comércio norte-americano. A medida, primeira da nova estratégia tarifária do governo Trump, pode afetar dezenas de países. No entanto, a lista de produtos isentos foi ampliada, incluindo carne bovina, café, terras raras, produtos energéticos, aeronaves e peças de aeronaves. A justificativa é que esses itens são considerados matérias-primas cuja sobretaxa poderia causar indisponibilidade de oferta doméstica e perturbações na economia americana.

Reação de Lula e impacto político

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva classificou a data de 15 de julho como um marco lastimável nas relações Brasil-EUA. Em declaração, Lula afirmou que o dia passará para a história como um ponto negativo no relacionamento bilateral. A fala reflete a insatisfação do governo brasileiro com a medida protecionista, que pode escalar para uma guerra comercial entre os dois países.

Mercados globais operam mistos

Os índices futuros dos EUA operam de forma mista nesta quinta-feira. O Dow Jones Futuro subia 0,19%, enquanto o S&P 500 Futuro caía 0,17% e o Nasdaq Futuro recuava 0,59%. O movimento ocorre após uma alta impulsionada pela inflação mais baixa na véspera. O índice de preços ao produtor (IPP) dos EUA mais fraco que o esperado aumentou o otimismo de que a inflação está arrefecendo, reduzindo a probabilidade de alta dos juros pelo Federal Reserve neste mês para apenas 10%, ante 43% nas semanas anteriores.

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Na Europa, as bolsas recuam: o STOXX 600 cai 0,43%, o DAX alemão perde 0,60%, o FTSE 100 britânico recua 0,24%, o CAC 40 francês cai 0,62% e o FTSE MIB italiano perde 0,48%. Investidores avaliam resultados corporativos e o agravamento das tensões no Oriente Médio, que ameaçam interromper o abastecimento de energia e reforçam temores inflacionários.

Ásia fecha sem direção única

Os mercados asiáticos encerraram o dia de forma mista. O Kospi sul-coreano despencou mais de 7%, enquanto o Kosdaq recuou 5%. No Japão, o Nikkei 225 caiu quase 3% e o Topix perdeu 1,19%. Em Hong Kong, o Hang Seng avançou 1,33%, contrariando a tendência negativa. Na China continental, o CSI 300 perdeu 0,55%. Na Austrália, o S&P/ASX 200 recuou 0,3%.

Petróleo e minério de ferro

Os preços do petróleo operam mistos, apesar dos novos ataques dos EUA contra instalações militares iranianas, que alimentam temores de um conflito em grande escala e interrupções no fornecimento no Estreito de Ormuz. O Irã adverte que o estreito é uma linha vermelha e que resistirá até o fim. O WTI subia 0,06%, a US$ 79,65 o barril, enquanto o Brent caía 0,21%, a US$ 84,77. O minério de ferro negociado em Dalian fechou estável a 759,50 iuanes (US$ 112,21), com investidores avaliando o aumento da oferta dos principais produtores e a desaceleração sazonal da demanda na China, em contraposição ao risco de greve nas operações da BHP em Port Hedland.

Dados econômicos: zona do euro e Brasil

A zona do euro registrou déficit comercial ajustado de 5 bilhões de euros em maio, segundo a Eurostat, contrastando com o superávit de 800 milhões de euros em abril. As exportações subiram 0,6% e as importações avançaram 2,8% na comparação mensal. No resultado sem ajustes, o déficit foi de 7,8 bilhões de euros, ante superávit de 15 bilhões em maio de 2025.

No Brasil, o IPC-S da segunda quadrissemana de julho de 2026 subiu 0,20%, acumulando alta de 4,14% em 12 meses. Seis das oito classes de despesa registraram decréscimo nas taxas de variação. A maior contribuição veio do grupo Alimentação, cuja taxa passou de 0,01% para -0,33%.

Day trade e indicadores americanos

O dia trade hoje tem atenção para o mini dólar e o mini-índice, com a volatilidade gerada pelas tarifas e tensões geopolíticas. Nos EUA, serão divulgados as vendas no varejo e os pedidos semanais de auxílio-desemprego, que podem oferecer pistas sobre o ritmo da atividade econômica.

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