O volume de vendas no comércio varejista brasileiro registrou alta de apenas 0,1% em maio na comparação com abril, frustrando as expectativas do mercado financeiro, que projetava um avanço de 0,5%. Os dados foram divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta quinta-feira (13).
Resultado abaixo do esperado
O resultado veio bem abaixo do consenso coletado pela Refinitiv, que apontava para um crescimento de 0,5% no período. A mediana das projeções variava entre queda de 0,3% e alta de 1,3%. Em abril, o setor já havia registrado recuo de 0,1%, segundo dados revisados.
Na comparação com maio de 2022, as vendas no varejo cresceram 1,2%, também abaixo das estimativas de alta de 2,3%. No acumulado dos últimos 12 meses, o setor acumula expansão de 1,8%.
Impacto da inflação e juros
Segundo Cristiano Santos, gerente da pesquisa do IBGE, o resultado de maio reflete a continuidade do cenário de inflação elevada e juros altos, que comprimem o poder de compra das famílias. "Apesar de a inflação ter desacelerado nos últimos meses, os preços ainda estão em patamares elevados, e a taxa básica de juros, a Selic, permanece em 13,75% ao ano, o que encarece o crédito e inibe o consumo", explicou Santos.
O IBGE também destacou que o setor de vestuário e calçados foi um dos que mais contribuíram para o resultado positivo, com alta de 2,1% no mês. Por outro lado, o segmento de móveis e eletrodomésticos registrou queda de 1,8%.
Perspectivas para o segundo semestre
Analistas do mercado financeiro avaliam que o desempenho fraco do varejo em maio reforça a expectativa de desaceleração da economia no segundo trimestre. O mercado de trabalho aquecido, com taxa de desemprego em 8,8%, não tem sido suficiente para impulsionar as vendas, devido ao endividamento das famílias e à restrição ao crédito.
Para o economista-chefe do Banco ABC Brasil, Luis Otávio de Souza Leal, a tendência é de que o varejo continue com crescimento moderado nos próximos meses. "A economia brasileira está em um momento de transição, com a inflação cedendo lentamente e o Banco Central sinalizando possíveis cortes na Selic apenas no segundo semestre. Isso deve dar algum alívio, mas o consumo ainda deve ser contido", afirmou Leal.
Setores em destaque
Entre os oito segmentos pesquisados pelo IBGE, quatro apresentaram alta em maio. Além de vestuário e calçados, os setores de combustíveis e lubrificantes (1,3%), artigos farmacêuticos (0,9%) e supermercados (0,2%) também tiveram crescimento. Já os segmentos de móveis e eletrodomésticos (-1,8%), equipamentos de informática e comunicação (-1,5%), livros e papelaria (-0,8%) e outros artigos de uso pessoal (-0,5%) registraram queda.
O IBGE também informou que o comércio varejista ampliado, que inclui veículos e materiais de construção, teve alta de 0,5% em maio ante abril, impulsionado principalmente pelo setor de veículos, que cresceu 1,2%.



