O que dizem os aliados
De acordo com relatos de aliados, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) cometeu um erro político que foi determinante para retirar a senadora Tereza Cristina (PP-MS) do jogo como opção para a vice-presidência na chapa encabeçada pelo ex-presidente Jair Bolsonaro. A informação foi publicada pela coluna de Malu Gaspar, do site O Globo, e repercutiu imediatamente nos bastidores políticos.
O episódio, segundo as fontes, teria ocorrido durante negociações envolvendo a formação da chapa presidencial. Tereza Cristina, ex-ministra da Agricultura, era vista como um nome capaz de agradar o agronegócio e ampliar o leque de alianças do PL com partidos do centrão. O PP, sigla da senadora, avaliava a indicação com bons olhos, mas a movimentação de Flávio Bolsonaro teria minado a articulação.
O erro de Flávio
A coluna não detalhou a natureza exata do erro, mas aliados próximos ao senador fluminense admitem que o caso reforça um padrão de ingerência que tem gerado atritos dentro da direita. Flávio, que exerce grande influência nas decisões do clã Bolsonaro, teria agido por conta própria, sem alinhar com os estrategistas do PL, o que queimou a ponte com o PP.
Na avaliação de interlocutores, a senadora ficou constrangida e o PP, insatisfeito. A rede de apoio que tornava Tereza Cristina uma candidata natural para a vice simplesmente se desfez, levando o alto comando bolsonarista a buscar outras alternativas.
O cenário eleitoral
A escolha do vice é apontada por analistas como uma das decisões mais sensíveis para o projeto de poder de Bolsonaro em 2026. O ex-presidente, inelegível até 2030, ainda procura um nome que possa herdar seu capital político e ao mesmo tempo aglutinar forças. Tereza Cristina surgia como uma ponte entre o eleitorado ruralista e o núcleo duro bolsonarista.
No entanto, com o episódio, o nome da senadora perdeu força. Nos bastidores, já se fala em outros possíveis vices, como o governador de Goiás, Ronaldo Caiado, e o senador Sergio Moro, ambos citados em rodas de negociação. Nenhum deles, porém, teria o mesmo perfil técnico e político que Tereza Cristina oferecia ao agronegócio.
Repercussão entre parlamentares
A notícia foi recebida com surpresa no Senado. Aliados da senadora sul-mato-grossense demonstraram insatisfação e cobraram mais cuidado nas articulações. Já defensores de Flávio Bolsonaro minimizam o caso, afirmando que não houve erro, mas sim uma avaliação estratégica diferente.
Até o momento, não houve manifestação pública oficial dos envolvidos sobre o conteúdo da coluna. A reportagem não obteve retorno do senador Flávio Bolsonaro nem da assessoria de Tereza Cristina.
O que está em jogo
Independentemente do desfecho, o episódio evidencia a fragilidade das alianças pessoais na política brasileira. Um erro de cálculo de um senador influente pode derrubar uma candidatura que parecia consolidada. A coluna de Malu Gaspar mostra que, na política, os movimentos nos bastidores são tão decisivos quanto votos.
Para os aliados ouvidos pela coluna, o tamanho do erro de Flávio Bolsonaro só será medido nas urnas. Caso o nome escolhido para vice não tenha a mesma capilaridade entre o agronegócio, os prejuízos poderão ser sentidos em estados do Centro-Oeste, onde Tereza Cristina é uma das líderes mais respeitadas.
A expectativa agora é se o próprio Flávio Bolsonaro irá se manifestar sobre o assunto. Nas redes sociais, ele tem evitado comentar a reportagem. Enquanto isso, o PP sinaliza que não pretende forçar a indicação da senadora, mas deixa claro que as relações com o PL ficaram estremecidas.
Esse episódio entra para a história das articulações políticas recentes como um exemplo de como alianças são frágeis e de como uma decisão individual pode mudar o rumo de um projeto de poder. A sucessão de eventos, conforme relatada por Malu Gaspar, serve de alerta para todos os envolvidos na montagem da chapa presidencial de 2026.



