Candidato do PL no Rio declara R$ 500 mil em livros raros e obras
Candidato do PL no Rio declara R$ 500 mil em livros raros

O professor Mauro Rosa (PL), pré-candidato a deputado federal pelo Rio de Janeiro nas eleições de 2026, declarou à Justiça Eleitoral um patrimônio total de R$ 1 milhão. Desse total, cerca de R$ 500 mil estão concentrados em uma coleção de livros raros, obras do pintor Candido Portinari e uma máscara do escritor Mário de Andrade. O registro consta do sistema de gerenciamento de informações da Justiça Eleitoral e representa um dos primeiros atos oficiais da corrida eleitoral.

Bens de alto valor cultural

Na lista de bens apresentada no registro de candidatura, os itens de maior destaque são os livros raros, avaliados em R$ 500 mil — exatamente metade do patrimônio total declarado. A coleção inclui obras de difícil acesso no mercado editorial, o que justifica a avaliação elevada. Além do acervo bibliográfico, o professor relacionou trabalhos do artista brasileiro Candido Portinari, um dos nomes mais importantes do modernismo no país, e uma máscara ligada a Mário de Andrade, autor de Macunaíma e um dos expoentes da Semana de Arte Moderna de 1922.

A declaração de bens é uma exigência legal para todos os candidatos em todas as esferas. Os dados são disponibilizados publicamente pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), no sistema DivulgaCand, e servem de base para o acompanhamento da evolução patrimonial ao longo do mandato. Qualquer falsidade nas informações pode acarretar a impugnação da candidatura e a responsabilização penal do candidato.

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Quem é Mauro Rosa

Professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e doutor em letras, Mauro Rosa atua no ensino superior e construiu carreira na área de humanidades. Sua trajetória acadêmica é um dos pilares da pré-campanha. Nas redes sociais, porém, o perfil público é marcado por posições explícitas em temas ideológicos. Em sua bio, ele se define como católico, sionista e colecionador de armas de fogo.

A autodescrição revela um candidato alinhado a pautas de grupos conservadores. O colecionismo de armas de fogo, por exemplo, é uma prática permitida por lei no Brasil, desde que siga as regras do Exército e da Polícia Federal. O sionismo, por sua vez, é uma corrente de solidariedade ao Estado de Israel, que tem crescente apelo entre segmentos cristãos. Essas posições devem ser exploradas na campanha, mas também podem atrair críticas de adversários.

Mercado de livros raros

O mercado de livros raros no Brasil é aquecido por colecionadores que buscam primeiras edições, exemplares autografados e obras de autores consagrados. Avaliações desse tipo de acervo dependem de laudos de especialistas, que levam em conta o estado de conservação, a tiragem e a relevância histórica. No caso de Mauro Rosa, a lista não especifica os títulos, o que impede uma análise mais detalhada dos itens.

Cenário eleitoral

O PL é uma das principais forças políticas do país e, no Rio de Janeiro, trabalha para lançar chapas competitivas em 2026. A candidatura de Mauro Rosa ainda precisa ser confirmada em convenção partidária, prevista para o meio do ano. Antes disso, o pré-candidato deverá cumprir outras etapas do processo eleitoral, como a prestação de contas e a definição do número de campanha.

Com um patrimônio avaliado em R$ 1 milhão, Mauro Rosa entra no grupo de candidatos com renda elevada. A combinação entre livros raros, obras de Portinari e máscara de Mário de Andrade chama atenção por fugir do padrão de bens tradicionalmente listados em candidaturas, que costumam incluir imóveis e veículos. Até o momento, não há indícios de irregularidades na declaração.

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