Disputas no bolsonarismo não levam a rompimento completo, diz pesquisador
Disputas no bolsonarismo não levam a rompimento completo

Em seu novo livro, o professor da PUC-Rio Marcelo Alves dos Santos Junior mergulha nas subculturas da extrema direita brasileira e conclui que as atuais disputas internas no bolsonarismo, embora acirradas, não devem levar a um 'rompimento completo' do bloco. A obra, intitulada 'As Vanguardas da Intervenção', detalha as cisões ocorridas durante a tentativa de golpe de Estado e como a economia da atenção digital impulsiona esses conflitos.

Análise das divisões internas

Segundo o pesquisador, as tensões entre os irmãos Carlos, Flávio e Jair Renan Bolsonaro, além da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, são visíveis na formação de palanques e nas trocas de farpas e indiretas nas redes sociais. No entanto, Santos Junior argumenta que esses desentendimentos são de natureza estratégica e não sinalizam o fim da aliança política.

O livro destaca que a extrema direita brasileira é composta por múltiplas subculturas que, apesar das divergências táticas, mantêm objetivos comuns. 'Os conflitos são reais, mas não implicam um desmantelamento imediato do movimento', afirma o autor.

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Economia da atenção digital

Santos Junior explica que a lógica das plataformas digitais amplifica as disputas internas, pois o engajamento é alimentado por polêmicas e ataques. 'A economia da atenção digital recompensa o confronto, o que faz com que as lideranças disputem espaço constantemente', diz. Esse fenômeno, contudo, não significa ruptura ideológica, mas sim uma competição por relevância dentro do mesmo campo.

O pesquisador ressalta que, mesmo com as cisões, o bolsonarismo mantém sua coesão em torno de pautas como o antipetismo, a defesa de valores conservadores e o questionamento das instituições democráticas.

Contexto político

A obra foi lançada em meio a um cenário de incertezas políticas, com as investigações sobre a tentativa de golpe ainda em andamento. Santos Junior alerta que, embora as divisões possam enfraquecer o grupo no curto prazo, elas não representam o colapso do movimento. 'O rompimento completo é improvável enquanto houver inimigos comuns e um eleitorado fiel', conclui.

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